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Vereador fala que água suja é ‘tão podre que preto perdia para ela’

Um vereador de Ibiporã, no norte do Paraná, está no centro de uma polêmica. Durante uma sessão da câmara municipal, ele usou uma expressão considerada racista. A fala aconteceu em uma discussão sobre a piscina abandonada do antigo clube da cidade.

A declaração gerou uma denúncia formal de racismo. Um morador protocolou o documento na câmara. O caso agora está em análise pelos líderes da casa.

O vereador envolvido é Rafael da Farmácia, do PSD. Ele fez a comparação ao comentar os riscos à saúde da piscina. A água estaria tão suja que, segundo ele, "preto perdia para ela".

Isso ocorreu no dia 13 de fevereiro. O presidente da câmara concordou com a preocupação, mas criticou a forma. Ele chamou a expressão de "de mau gosto".

Agora, a câmara precisa decidir como proceder. O advogado da casa analisa se a denúncia segue as regras. Depois, os dirigentes vão definir o destino do caso.

A declaração polêmica

A discussão começou com a situação do antigo clube Seri. A piscina do local está abandonada há tempos. Vereadores debatiam os riscos que um buraco aberto poderia trazer à saúde pública.

Foi nesse contexto que Rafael da Farmácia fez sua intervenção. Ele afirmou que a água da piscina estava tão podre que "preto perdia para ela". A expressão, comum em alguns lugares, compara algo muito escuro ou sujo à cor da pele negra.

Imediatamente, o presidente da sessão, Rafael Eik Borges Ferreira, se manifestou. Ele concordou com a preocupação sobre o local, mas destacou que a comparação foi infeliz. Para ele, a forma de expressar a ideia foi de mau gosto.

A denúncia e a reação

A fala do vereador não passou despercebida. Um morador da cidade decidiu tomar uma atitude. No dia 27 de fevereiro, ele protocolou uma denúncia de racismo na câmara municipal.

O documento foi encaminhado à Mesa Executiva da casa. Esse grupo é formado pelos vereadores que dirigem os trabalhos. Eles são responsáveis por analisar inicialmente qualquer pedido desse tipo.

A partir daí, o processo segue um trâmite definido. A câmara solicitou um parecer jurídico sobre o caso. O advogado da casa tem até 15 dias para avaliar se a denúncia atende às regras internas.

Os próximos passos

Após o parecer do advogado, a Mesa Executiva vai se reunir. Eles terão três opções principais sobre como proceder. Podem arquivar o caso, encaminhá-lo ao Conselho de Ética ou abrir uma sindicância.

O Conselho de Ética é um órgão que avalia condutas dos parlamentares. Já a sindicância é uma investigação administrativa para apurar fatos. A decisão dependerá da análise jurídica e da gravidade atribuída à declaração.

Enquanto isso, o vereador Rafael da Farmácia se defendeu publicamente. Em nota à imprensa, ele disse que não teve intenção de ofender ninguém. Classificou sua fala como uma "expressão infeliz no campo retórico".

A defesa e o contexto legal

O parlamentar afirmou que sua declaração não foi direcionada a pessoas ou grupos. Ele reiterou seu respeito por todos os cidadãos e seu compromisso contra o racismo. Disse ainda que se considera parte da população negra.

No Brasil, o crime de racismo é tratado com severidade pela lei. Ele é considerado imprescritível, ou seja, pode ser julgado a qualquer tempo. A pena prevista varia de dois a cinco anos de reclusão.

O presidente da câmara municipal preferiu não comentar o caso enquanto ele está em análise. A assessoria informou que aguardará o fim do processo jurídico. A população agora acompanha os desdobramentos dessa história.

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