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Vereador de Paracuru diminui carnaval do município e revolta população

Uma discussão recente na Câmara de Paracuru deixou muitos moradores da cidade com um gosto amargo na boca. O assunto era o Carnaval, uma das celebrações mais aguardadas e importantes para a economia local. Em meio ao debate, um vereador fez declarações que foram recebidas não como crítica, mas como uma ofensa à própria terra que ele representa.

O vereador Edilson do Guajiru afirmou, durante a sessão, que Paracuru nunca terá um carnaval do tamanho do realizado em Aracati. A fala gerou revolta imediata entre os presentes e, depois, nas redes sociais. Para muitos, ir além de uma opinião sobre a gestão do evento e declarar um limite permanente para a cidade soou como puro desrespeito.

É grave quando um representante eleito parece ironizar publicamente um dos maiores eventos populares de seu município. O Carnaval em cidades do litoral não é só diversão. É um motor econômico poderoso, que movimenta setores inteiros e sustenta famílias durante boa parte do ano. Diminuir esse potencial é ignorar a realidade de quem depende da festa.

A reação dentro do plenário foi rápida e veio de outra autoridade. O procurador geral do município, Renê Coelho, se levantou para rebater diretamente o vereador. Sua argumentação seguiu um caminho completamente oposto, mostrando uma visão de futuro e de incentivo para Paracuru.

Coelho afirmou que a cidade não deve se contentar em competir apenas com Aracati. Na visão dele, Paracuru já superou esse patamar e seu objetivo deve ser ainda mais ousado. O procurador defende que a cidade tem condições de brigar no carnaval com ninguém menos que Salvador, a capital da folia no país.

Essa troca de ideias revela duas posturas políticas totalmente diferentes. De um lado, um discurso que parece limitar as ambições da cidade. Do outro, um posicionamento que desafia Paracuru a sonhar grande e a buscar um lugar de destaque no cenário cultural e turístico do estado. A população ficou no meio desse embate.

Para entender a revolta, é preciso olhar para o que o Carnaval realmente significa para uma cidade como Paracuru. A festa vai muito além dos bloquinhos e dos trios elétricos. Ela é, antes de tudo, uma fonte vital de geração de emprego e renda para centenas de pessoas.

Pense nos ambulantes que vendem bebidas e comidas, nos artesãos que comercializam seus produtos, e nos músicos e artistas contratados para os eventos. Pense também na rede hoteleira e no comércio local, que ficam lotados durante os dias de folia. Tudo isso movimenta a economia da cidade de forma intensa.

Desdenhar do potencial do Carnaval, portanto, acaba soando como um desdém pelo esforço de todos esses trabalhadores e empreendedores. É ignorar o suor de quem se prepara o ano inteiro para oferecer um bom serviço e receber bem os visitantes. A festa é uma expressão cultural, mas também é o sustento de muita gente.

O debate levantado na Câmara, apesar do tom infeliz, traz à tona uma reflexão necessária. Como Paracuru pode, de fato, crescer e se estruturar para ter um Carnaval cada vez melhor? O caminho não passa por comparações deprimentes, mas por planejamento e investimento.

É preciso discutir infraestrutura, segurança, incentivo aos blocos independentes e apoio aos comerciantes. São discussões práticas que fazem a festa crescer com qualidade, beneficiando tanto os moradores quanto os turistas. Sonhar alto, como sugeriu o procurador, requer ações concretas no chão da cidade.

No fim das contas, o que ficou claro foi o amor que as pessoas têm por sua cidade e por sua cultura. A reação negativa às declarações do vereador mostra uma comunidade que acredita no próprio potencial e que não aceita ser colocada para baixo. O futuro do Carnaval de Paracuru será decidido por muito trabalho e, principalmente, por uma visão que enxergue além dos limites atuais.

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