A chegada ao Brasil foi um processo tranquilo para Benjamin. Na época, o fluxo de venezuelanos era pequeno, cerca de cem pessoas. Ele já havia realizado alguns trabalhos por aqui e viu a chance de crescer profissionalmente, diferente de muitos compatriotas que fugiam da fome. A decisão de migrar, tomada em 2016, mostrou-se acertada para sua carreira.
Hoje, aos 44 anos, ele tem uma vida estabelecida em Roraima. Com sua esposa, administra uma produtora audiovisual e criam a filha pequena. Apesar da estabilidade conquistada, os acontecimentos recentes em seu país de origem trazem uma dor profunda. A invasão liderada pelos Estados Unidos o deixa com o coração partido.
Para Benjamin, é triste ver a Venezuela caminhar para se tornar uma colônia. Ele critica a falta de um estatuto legal internacional para tal intervenção. A imagem de militares lançando bombas, enquanto parte da população celebra, é algo muito forte. Ele teme um futuro de violência e instabilidade política com esse vazio de poder.
A professora Livia chegou ao Brasil em 2016, atraída por uma bolsa de doutorado. O que era para ser uma estadia temporária transformou-se em uma travessia migratória. Ela concluiu dois doutorados aqui, enquanto sua família enfrentava a crise lá longe. Conciliar os estudos com a preocupação com os parentes foi um percurso emocionalmente pesado.
A vida deu uma guinada positiva no ano passado, quando seu filho conseguiu uma vaga na universidade em Foz do Iguaçu. Agora, os dois estão reunidos. Livia lembra que, na Venezuela, era professora universitária, mas as condições salariais eram precárias. Muitos colegas brilhantes precisavam fazer entregas para sobreviver, sem tempo para pesquisar.
A invasão estadunidense é vista por ela como um ato de recolonização. Esse evento aprofunda os traumas de um povo já tão castigado. Sua maior angústia, no momento, é pela segurança da família que ficou para trás. O simples ato de abraçar o pai, em uma visita planejada, tornou-se impossível diante da incerteza e do perigo.
Maria Elias chegou com o marido e os filhos em 2015. A crise econômica fechou sua loja na Venezuela e a família apostou as fichas no Brasil. Os primeiros desafios foram grandes: o idioma, a cultura e a entrada no mercado de trabalho. A solução veio da herança familiar: a culinária libanesa.
Eles começaram de forma modesta, com um primeiro pedido em uma lanchonete perto de casa. Os donos do local se tornaram grandes amigos e os apoiaram. O sucesso foi crescendo, de jantares em residências até a ampliação do cardápio para comida mediterrânea. O trabalho duro e a diferenciação garantiram o sustento da família.
Sobre a situação na Venezuela, Maria tem uma visão pragmática. Apesar de ver a saída de Maduro como algo positivo, acha o cenário político muito confuso. Para ela, é difícil separar o que é verdade ou mentira. A esperança é que o país possa, um dia, renascer e voltar a ser produtivo, mas o caminho até lá é uma incógnita.
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