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Unidade que participou de busca a Vasques em SC é chefiada por amigo dele

A operação para localizar o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, começou com uma movimentação curiosa em Santa Catarina. Dois grupos da polícia penal estadual foram os primeiros a atuar no caso. Um deles é justamente o Núcleo de Busca e Recaptura, conhecido como Recap, que tem como responsável Rafael Zaba Caetano. O nome dele logo chamou atenção, já que ele e Silvinei são amigos nas redes sociais.

A outra unidade envolvida foi a de Monitoramento Eletrônico. Oficialmente, o trabalho delas seria apenas dar suporte à secretaria penitenciária do Distrito Federal, que é quem fiscaliza a tornozeleira eletrônica de Vasques. O sinal do aparelho, aliás, havia sumido por volta das três da manhã do último dia 25. O estranho é que a Polícia Federal só foi acionada para verificar a situação quase vinte horas depois.

Enquanto isso, a polícia penal de Santa Catarina já havia ido ao endereço do ex-diretor. Eles permaneceram no local por apenas dezesseis minutos. A versão do órgão é que receberam o chamado da secretaria do DF às 18h30, mais de três horas após a interrupção do sinal. Depois disso, levaram uma hora e meia para chegar ao local. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no Pronatec.

Os detalhes da busca e os tempos envolvidos

A cronologia dos fatos levanta perguntas sobre a agilidade dos procedimentos. A tornozeleira parou de transmitir o sinal de GPS no início da madrugada. Por volta das 13h, o sinal de GRPS, que é uma tecnologia complementar, também foi interrompido. Apesar disso, a Superintendência da Polícia Federal só tomou conhecimento do problema às 23h.

Ao chegarem, os federais descobriram que a Polícia Penal já havia estado no prédio. O órgão estadual afirma que cumpriu todos os trâmites previstos e que o tempo de deslocamento foi o necessário. No entanto, se a equipe partiu de uma de suas sedes no bairro Estreito, em Florianópolis, o trajeto até o endereço de Vasques levaria menos de dez minutos.

A polícia penal também comunicou que, após a visita, fez um relatório sigiloso e repassou as informações de forma imediata para a secretaria responsável no DF. O que exatamente foi averiguado nesses dezesseis minutos no local, e por que a comunicação com a PF demorou tanto, são pontos que seguem sem uma explicação completa para o público.

As conexões entre os envolvidos no caso

A relação entre o diretor do Recap, Rafael Zaba, e Silvinei Vasques vai além de uma mera conexão online. Ambos são figuras públicas que moram em São José, o que, segundo a assessoria da polícia penal, torna “natural a eventual troca de seguidores”. No entanto, os dois também compartilham o hábito de frequentar clubes de tiro.

Zaba é sócio de um dos CNPJs do Clube Top Gun. Essa mesma empresa recebeu emendas parlamentares da deputada Júlia Zanatta, atualmente sob auditoria do Tribunal de Contas da União. Em 2023, Zaba, como presidente do clube, assinou um convênio com o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Santa Catarina.

Curiosamente, o Clube Top Gun tem um contrato com a Prefeitura de São José para instrução de tiro da Guarda Municipal. Na época da contratação, Silvinei Vasques era secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação da cidade, embora sua pasta não estivesse diretamente ligada ao acordo. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no portal Pronatec.

O desfecho e os próximos passos

Questionada se o próprio Rafael Zaba participou diretamente da diligência à casa de Vasques, a assessoria da polícia penal não deu uma resposta. Documentos do portal da transparência mostram que o policial recebeu um terço de férias em novembro, mas não é possível confirmar se ele estava de folga no dia da busca.

Enquanto isso, Silvinei Vasques segue preso preventivamente. Ele foi condenado por organizar operações de fiscalização no dia do segundo turno das eleições de 2022, com a suposta intenção de dificultar o voto em certas regiões. Sua defesa agora trabalha para que ele cumpra a pena em São José ou em Santa Catarina, alegando seus vínculos familiares e sociais no estado.

A situação expõe a complexa teia de relações pessoais e institucionais que pode surgir em operações de alto nível. A atuação das forças de segurança, especialmente em casos tão sensíveis, depende crucialmente da percepção de isenção e da transparência em cada etapa do processo.

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