Pablo Marçal decidiu trocar de partido. O empresário e influenciador se filiou ao União Brasil nesta sexta-feira, em uma cerimônia na Vila Olímpia, em São Paulo. A mudança acontece em um momento delicado, enquanto ele enfrenta processos na Justiça Eleitoral que questionam sua elegibilidade.
Esta não é a primeira vez que Marçal tenta a sorte na política. Ele já concorreu a deputado federal e a prefeito de São Paulo em eleições passadas. Agora, a aposta do partido é que ele puxe votos para uma vaga na Câmara dos Deputados. O plano é lançá-lo como candidato a deputado federal por São Paulo nas eleições deste ano.
No entanto, esse caminho está cheio de obstáculos. O influenciador acumula condenações que podem deixá-lo inelegível. Ele já reverteu uma decisão, mas ainda recorre de outras duas. A estratégia da defesa é tentar garantir seu direito de concorrer enquanto os recursos não forem julgados em última instância.
Condenações na Justiça Eleitoral
A primeira grande condenação veio em fevereiro do ano passado. Marçal foi processado por prometer apoio político a candidatos a vereador em troca de doações de cinco mil reais para sua campanha. O juiz entendeu que a proposta, por si só, já configurava um crime eleitoral, mesmo com pouco dinheiro arrecadado.
Ele recorreu e conseguiu uma vitória na segunda instância. O desembargador considerou que, apesar da conduta ilícita, não ficou provado que a ação teve impacto real na campanha. As partes que o processaram não aceitaram a decisão e entraram com um novo recurso, que pode levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral.
Enquanto isso, outra ação seguia seu curso. Dois meses depois, em abril, veio uma nova condenação. Desta vez, pelo chamado "concurso de cortes", onde Marçal oferecia dinheiro a seguidores que produzissem vídeos promovendo sua candidatura. A Justiça viu nisso uma compra de apoio político.
As consequências das decisões
O juiz considerou que a estratégia deu uma vantagem indevida a Marçal, criando uma falsa impressão de apoio popular. Além da inelegibilidade, ele foi multado em quatrocentos e vinte mil reais por descumprir uma ordem judicial que pedia a suspensão de seus perfis em uma rede social.
Com essa confirmação na segunda instância, os efeitos da Lei da Ficha Limpa passaram a valer. Isso significa que, para certos crimes, a inelegibilidade pode durar oito anos. A defesa do influenciador ainda tenta reverter essa situação com novos embargos no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.
A terceira condenação ocorreu em julho do ano passado. O PSB o processou por abuso de poder econômico, citando sorteios de bonés e dinheiro para promover sua campanha. O partido também mencionou ofensas proferidas por Marçal contra adversários durante a disputa eleitoral. O recurso contra essa decisão ainda aguarda julgamento.
Outras polêmicas e acordos
Além dos processos eleitorais, o influenciador se envolveu em outras controvérsias. Dois dias antes do pleito de 2024, ele divulgou um laudo médico falso sobre um adversário, usando até a assinatura de um médico já falecido. Esse caso foi resolvido com um acordo com o Ministério Público no início deste ano.
Pelo acordo, Marçal pagou uma indenização e assumiu alguns compromissos de conduta. Ele também foi condenado por difamação eleitoral contra uma deputada federal, após fazer declarações infundadas sobre sua vida pessoal durante a campanha. Essas condenações se somam ao histórico de disputas judiciais.
Um dos episódios mais marcantes foi o confronto com outro candidato, que culminou em uma agressão física durante um debate televisionado. Esse caso específico também terminou em um acordo entre as partes, homologado pela Justiça no início deste ano, encerrando os processos mútuos.
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