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Unesp cria graduação em língua e cultura chinesas com dois anos de estudos na China

A Unesp está prestes a lançar um curso inédito no Brasil: um bacharelado inteiramente dedicado à língua e cultura chinesas. A graduação começa em agosto de 2026, no campus de Assis, e promete formar profissionais com um perfil único. A grande novidade é a oportunidade de concluir parte dos estudos na China, com direito a um diploma reconhecido nos dois países.

A ideia surgiu da percepção de que o relacionamento entre Brasil e China vai muito além da economia. Eles queriam ir além de um curso tradicional de letras. A proposta é integrar o aprendizado do idioma com estudos de sociedade, política e comércio exterior. O objetivo é formar especialistas que entendam a China de verdade, em toda a sua complexidade.

A demanda por esse conhecimento não é apenas acadêmica. Empresas e cooperativas do agronegócio na região já demonstraram interesse nesse tipo de profissional. O mundo pede pessoas capazes de navegar nas relações entre os dois países com profundidade. Esse curso parece responder a essa necessidade de forma prática e direta.

Como será a estrutura do curso

Nos dois primeiros anos, todos os alunos terão uma base comum. Eles estudarão mandarim do zero, sem necessidade de conhecimento prévio. A grade também inclui literatura, história, filosofia e economia chinesa. A proposta é que, ao final dessa fase, o estudante já atinja um nível de proficiência sólido no idioma.

Após essa etapa inicial, um grupo de até vinte alunos poderá seguir para a Universidade de Hubei, em Wuhan. A seleção será baseada no desempenho acadêmico e em uma prova de proficiência. Quem for selecionado terá uma experiência imersiva total, cursando os dois anos finais na China.

Para os que permanecerem no Brasil, o caminho também é valioso. Eles receberão o diploma da Unesp com ênfase em tradução. Já os que conseguirem a vaga internacional terão uma dupla titulação, com foco em relações comerciais. São duas formações distintas dentro da mesma graduação.

O que torna essa graduação única

O grande diferencial está justamente na possibilidade da dupla diplomação, algo pioneiro no país. Esse formato integrado é o que distingue a proposta de outros cursos existentes. Não se trata apenas de aprender a língua, mas de compreender o contexto que faz a China ser o que é hoje.

O acordo com a instituição chinesa também traz benefícios concretos. Os estudantes selecionados para Wuhan terão passagem, moradia, alimentação e uma bolsa custeadas pelo governo da China. Além disso, a parceria prevê um investimento anual para melhorar a infraestrutura do campus em Assis.

Do lado da Unesp, o projeto exigirá a contratação de novos professores especializados. As primeiras vagas serão para experts em língua e literatura chinesa, história da Ásia e economia internacional. O investimento mostra o compromisso em oferecer uma formação de alto nível desde o primeiro dia.

Processo seletivo e primeiros passos

Serão oferecidas 40 vagas no total, todas para o período noturno. A entrada será exclusivamente pelo Vestibular de Meio de Ano da Unesp, com início das aulas em agosto de 2026. Esse calendário foi alinhado ao ano letivo chinês, facilitando a ida dos alunos no momento certo.

Do total de vagas, 36 serão preenchidas pelo vestibular tradicional e 4 pelo sistema que usa a nota do Enem. Metade das oportunidades em cada modalidade é reservada para alunos de escola pública. Por enquanto, não há previsão de vagas para medalhistas de olimpíadas científicas.

A expectativa dentro da universidade é de alta procura, inclusive de estudantes de outros estados. Ainda não existe um projeto para receber alunos chineses em Assis no mesmo formato. Tudo indica que, por enquanto, o fluxo será de mão única, levando brasileiros para se aprofundarem no cenário global.

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