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Trump conversa com Putin antes de se reunir com Zelenski

Poucas horas antes de se encontrar com o presidente ucraniano Volodimir Zelenski para discutir um plano de paz, Donald Trump conversou com Vladimir Putin. O encontro entre o americano e o ucraniano estava marcado para domingo em Mar-a-Lago, o resort de Trump na Flórida. O conteúdo do diálogo com o líder russo não foi detalhado, mas o anúncio aconteceu em um momento bastante delicado.

A Rússia divulgou uma série de vitórias militares no leste da Ucrânia, incluindo a tomada da estratégica cidade de Mirnohrad, na região de Donetsk. O governo em Kiev tentou negar a perda, afirmando que os combates continuavam na localidade. No entanto, análises de imagens georrefereciadas mostram soldados russos celebrando entre os escombros, indicando que o controle realmente mudou de mãos.

O timing dessas notícias levanta suspeitas. Especialistas questionam se os anúncios são um exagero proposital para influenciar as negociações de paz. No dia anterior, Putin já havia demonstrado força com um grande ataque de mísseis e drones contra a Ucrânia. O bombardeio deixou Kiev no escuro durante o frio intenso do inverno, aprofundando a pior crise energética do país desde o início da guerra.

Zelenski chegou aos Estados Unidos no sábado para discutir seu próprio plano de paz, um documento com 20 pontos. Esta proposta é uma resposta a um rascunho inicial de 28 itens, que era amplamente favorável ao Kremlin. A versão atual tenta equilibrar muito mais as demandas de Kiev para o fim do conflito. No entanto, vários obstáculos gigantescos permanecem no caminho de qualquer acordo.

A principal questão, e a mais espinhosa, é a questão territorial. A Rússia já deixou claro que não aceita um simples congelamento das linhas de frente como estão para depois negociar. Putin quer a posse de todos os territórios que anexou ilegalmente em 2022. Ele exige publicamente a totalidade da região do Donbass, composta por Lugansk e por Donetsk, que está cerca de 80% ocupada. Em outras regiões, como Zaporíjia e Kherson, o líder russo já sinalizou que poderia abrir mão das partes que não controla.

Os Estados Unidos, durante as conversas separadas com ucranianos e russos, propuseram que a parte de Donetsk ainda sob controle de Kiev fosse desmilitarizada. Moscou condicionou sua aceitação a uma exigência inaceitável para Zelenski: que o policiamento e controle da região fossem feitos por suas próprias forças. Essa é apenas uma das muitas discordâncias que separam os lados.

Além das fronteiras, a estrutura da segurança futura da Ucrânia é outro ponto de atrito. Zelenski reiterou que só poderá haver paz com garantias de segurança sólidas de outros países, para o caso de um novo ataque russo no futuro. Moscou rejeita completamente a ideia de uma força de paz internacional na região. A reação do Kremlin a uma proteção que envolvesse diretamente os EUA e a Otan é totalmente incerta.

O presidente ucraniano afirmou que, se não houver um acordo sem perdas territoriais, será necessário fazer uma consulta popular sobre qualquer decisão tomada com Trump. Mas mesmo esse caminho é duvidoso, pois qualquer plano final precisa ser combinado com os russos. Todas as declarações de Putin até agora indicam que ele só pararia a guerra se pudesse vender o acordo como uma vitória completa em seus próprios termos. O caminho para a paz, portanto, parece ainda muito longo e cheio de obstáculos quase intransponíveis.

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