Um ministro do Supremo Tribunal Federal fez duras críticas à Polícia Federal nesta semana. O motivo foi o andamento de uma grande operação contra um banco e pessoas ligadas a ele. O ministro Dias Toffoli não gostou do que viu e deixou isso muito claro em suas decisões.
Ele é o responsável por analisar o caso no STF. Em seus despachos, Toffoli mostrou insatisfação com atrasos da polícia no cumprimento de ordens judiciais. Para ele, a demora colocava em risco as provas da investigação. O tom foi direto e firme, algo que chama a atenção vindo de um ministro da mais alta corte.
Tudo começou com um pedido da Procuradoria-Geral da República. A PGR queria o bloqueio de bens de investigados. Toffoli concordou e deu um prazo curto para a PF agir: 24 horas. A ordem era para que as diligências fossem feitas rapidamente, mesmo após o horário comercial, para manter o sigilo.
O descontentamento explícito
A crítica mais forte veio em um despacho na noite do dia 13 de janeiro. Toffoli afirmou que a Polícia Federal teve tempo suficiente para se planejar. Mesmo assim, não cumpriu o prazo que ele havia estabelecido. O ministro foi taxativo ao atribuir a responsabilidade por qualquer prejuízo à investigação exclusivamente à PF.
Ele escreveu que a frustração das medidas poderia decorrer de uma “inércia exclusiva” da polícia. Toffoli mencionou até uma “inobservância expressa e deliberada” de sua decisão. Esse nível de cobrança direta ao comando da PF é algo fora do comum nos despachos do Supremo.
O ponto central da preocupação do ministro era claro: o risco de destruição de provas. O atraso, segundo ele, daria chance para que outros envolvidos pudessem esconder ou descaracterizar elementos essenciais do caso. Esse temor justificou, em sua visão, a adoção de medidas mais duras e imediatas.
As medidas extras para salvar a investigação
Diante do risco, Toffoli adotou uma série de providências extras. Ele autorizou a ampliação de buscas para novos endereços. Também reconsiderou decisões anteriores, entendendo que as diligências iniciais eram muito restritas para o tamanho da investigação que se desenhava.
Uma medida drástica foi autorizada: a prisão temporária de um dos investigados centrais, Fabiano Campos Zettel. A PF informou que ele tinha uma passagem aérea internacional marcada para poucas horas antes do cumprimento das ordens. Sua saída do país poderia inviabilizar toda a ação.
A prisão foi decretada por um prazo curto, apenas até a manhã seguinte. Junto com ela, veio a apreensão do passaporte e a proibição de deixar o país. Toffoli considerou a prisão imprescindível naquele momento, já que outras medidas mais leves pareciam insuficientes.
Custódia no STF e cobrança ao diretor-geral
Outra decisão incomum foi sobre o destino das provas. Toffoli determinou que todos os bens e materiais apreendidos fossem lacrados e guardados diretamente na sede do STF. Essa centralização na corte máxima mostra a extrema preocupação com a integridade e a cadeia de custódia do material.
O ministro também quis explicações formais. Ele determinou que o próprio diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informasse ao Supremo as razões do descumprimento do prazo. O prazo para esse esclarecimento também foi de 24 horas. A cobrança direta ao chefe da corporação evidencia o nível do descontentamento.
Toffoli enfrenta críticas por ter imposto sigilo à operação e por restringir a divulgação de informações. Nos despachos, ele defendeu a decisão. O sigilo, segundo ele, era necessário para preservar a eficácia das ordens e evitar que os atrasos permitissem a destruição de provas. Esse foi o argumento que sustentou toda a sua linha dura de atuação.
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