Técnico aplicou 13 seringas de desinfetante em vítima; o que se sabe sobre as mortes em hospital no DF
Três técnicos de enfermagem foram presos no Distrito Federal, suspeitos de envolvimento em mortes de pacientes dentro de uma UTI. Os crimes aconteceram no Hospital Anchieta, em Taguatinga, e chocam pelo método cruel e pela quebra total de confiança em um ambiente que deveria ser de cuidado.
As vítimas eram um homem de 75 anos, outro de 63 e uma mulher de 33 anos. Todos estavam internados em estado grave, mas suas condições pioraram de forma súbita e inexplicável. Essas mortes atípicas acenderam um alerta dentro do próprio hospital, que iniciou uma apuração interna antes mesmo de chamar a polícia.
A investigação aponta que os pacientes morreram após receber aplicações irregulares de medicamentos. Em um dos casos, o suspeito principal teria usado até desinfetante comum. A ação rápida do hospital em reunir provas foi crucial para as prisões, que ocorreram nos dias 12 e 15 de janeiro.
O que realmente aconteceu na UTI
A polícia acredita que o principal suspeito, um técnico de 24 anos, acessava o sistema de prescrições médicas deixado aberto. Ele então retirava medicamentos controlados da farmácia do hospital, escondia as seringas no jaleco e aplicava as substâncias diretamente nos pacientes, sem qualquer autorização.
O medicamento usado, quando aplicado fora dos protocolos, pode causar parada cardíaca em segundos. Em uma das pacientes, o suspeito aplicou quatro doses. Ela sofreu várias paradas, mas resisteu inicialmente. Com o frasco do remédio vazio, ele partiu para uma medida ainda mais extrema.
Ele encheu cerca de treze seringas com desinfetante da pia do leito e injetou o produto na veia da mulher. A ação foi fatal. Informações inacreditáveis como estas mostram um nível de cálculo assustador.
A encenação e os cúmplices
Após causar as paradas cardíacas, o suspeito não fugia. Pelo contrário, ele chamava a equipe e iniciava massagens cardíacas nos pacientes. A encenação era uma tentativa de simular uma tentativa legítima de reanimação e afastar qualquer suspeita sobre sua conduta.
Duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, são acusadas de ajudar a ocultar os crimes. Imagens de segurança mostram elas vigiando a porta do quarto durante as aplicações, impedindo a entrada de outras pessoas. Uma delas teria auxiliado na retirada do medicamento da farmácia.
A perícia do IML foi decisiva. Os laudos indicam que a piora do estado das vítimas foi súbita, sem um agravamento gradual esperado em um quadro clínico natural. Esse detalhe técnico reforçou a tese de ação intencional.
As investigações que continuam
As mortes ocorreram entre novembro e dezembro do ano passado. A polícia trabalha agora com cerca de vinte laudos periciais para reconstruir toda a linha do tempo. Uma questão central é descobrir a motivação por trás desses atos, que ainda permanece um mistério.
As autoridades também investigam se existem outras vítimas. Os suspeitos trabalharam em outras instituições, públicas e privadas, antes de atuar no Hospital Anchieta. A busca por respostas se estende, portanto, para além dos muros desse hospital.
O caso agora corre em segredo de Justiça. O hospital afirma que entrou em contato com as famílias para prestar esclarecimentos. A direção ressalta que o sigilo é necessário para não atrapalhar o trabalho das autoridades e garantir que a investigação siga seu curso.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.