Prestes a completar quarenta e sete anos, sendo trinta deles dedicados à atuação, Taís Araújo celebra essa trajetória em uma conversa franca. A artista, que estampa a capa de uma revista especializada, mergulha em suas memórias profissionais com a naturalidade de quem viveu cada capítulo. Ela relembra os personagens que moldaram sua carreira e comenta a intensa repercussão de seu trabalho recente. É um bate-papo repleto de sinceridade e reflexões sobre o amadurecimento no mundo artístico.
Com uma bagagem repleta de sucessos, a atriz admite a dificuldade em eleger um único papel como o mais marcante. Para ela, cada personagem carrega uma importância única e um aprendizado diferente. Xica da Silva, Preta, Penha e Helena estão entre as figuras que guarda com maior carinho no coração. A lista segue com Michelle Brown e a recente Raquel, de "Vale Tudo", mostrando uma trajetória diversa e consistente.
Ela mesma reconhece que nem sequer consegue listá-los em ordem cronográfica, tal a quantidade de experiências significativas. São muitas vivências que se misturam na memória, cada uma com seu peso e sua beleza própria. Essas personagens, segundo Taís, foram as mais importantes em suas três décadas de estrada. Elas representam não apenas sucesso profissional, mas pedaços da sua própria história e crescimento.
A força por trás da personagem Raquel
Falando especificamente sobre Raquel, a protagonista do remake de "Vale Tudo", Taís traça um paralelo profundo com a própria vida. Ela revela um carinho especial por essa mulher, inspirada em pessoas reais que a emocionam profundamente. A atriz quis honrar a história dessas brasileiras fortes que enfrentam a vida com coragem e honestidade. Embora suas realidades sejam bastante distintas, existe um elo poderoso que as une.
Esse elo é a busca por uma existência autêntica, baseada em relações transparentes e verdadeiras. Taís afirma preferir sempre jogar aberto, mesmo quando essa postura a deixa mais exposta às críticas e julgamentos. Essa é, para ela, a chave para uma consciência tranquila e noites de sono peaceful. A diferença crucial está na convicção absoluta de Raquel, enquanto a atriz se considera mais aberta ao diálogo.
Ela se enxerga como alguém com princípios inegociáveis, mas com maior flexibilidade para ouvir e compreender o próximo. Essa nuance entre a personagem e a pessoa real enriquece sua interpretação, trazendo camadas de complexidade. É essa humanidade, com suas certezas e dúvidas, que Taís consegue transmitir com tanta maestria. Sua atuação vai além do texto, mostrando a alma de uma mulher em constante construção.
Navegando pela repercussão do público
Sobre a grande polêmica gerada pelos rumos de sua personagem em "Vale Tudo", a atriz compartilha sua filosofia profissional. Ela manteve o foco em estar a serviço de uma obra maior, entregando o seu melhor em cada cena. Todos os dias no set eram encarados com alegria e um profundo senso de gratidão pelo sucesso da novela. Taís via aquele momento como a reta final de um projeto incrivelmente bem-sucedido.
Ela define Raquel como uma das personagens mais importantes de sua fase madura, um marco em sua carreira. Portanto, não permitiria que eventuais ruídos externos prejudicassem a percepção sobre um trabalho feito com tanto amor. O que mais a emocionou, no final, foi o reconhecimento do público e da crítica especializada. Eles viram além do drama e captaram seu empenho em contar aquela história com a máxima verdade.
Essa conexão com quem assistia era a confirmação de que sua dedicação havia valido a pena. A resposta positiva foi o combustível que a manteve firme, mostrando que a qualidade do seu trabalho estava sendo compreendida. Foi uma troca sincera entre a artista e sua audiência, baseada no respeito mútuo. Uma experiência que certamente marcará suas escolhas futuras.
O que o futuro reserva para a carreira
Em relação aos próximos passos, Taís Araújo se encontra em um momento privilegiado de poder selecionar seus projetos. Ela reflete que o papel ideal precisa afetá-la de alguma forma, provocar um desejo interno de interpretá-lo. Muitas vezes, o tamanho da participação é menos importante do que o impacto emocional que a história causa. Com tanta estrada percorrida, novas perguntas começam a surgir.
A atriz agora se pergunta quais narrativas ainda não explorou e que possam reacender sua chama criativa. Ela busca desafios que a façam desejar continuar contando histórias para o grande público. Depois de tantas heroínas em seu currículo, surge uma vontade genuína de explorar o lado sombrio. Interpretar uma vilã de camadas complexas parece ser um desejo latente em sua carreira.
Essa busca por personagens antagonistas representa uma evolução natural, um desejo de explorar novas facetas da condição humana. É a busca por uma complexidade que vá além do bem e do mal simplistas, mostrando a nuance das escolhas. Taís quer mergulhar em personagens que desafiem o espectador e a si mesma como artista. O futuro, portanto, promete surpresas e uma Taís Araújo ainda mais diversa e fascinante.