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Susana Vieira homenageia Manoel Carlos e revela vilã que a transformou em meme

A notícia da partida de Manoel Carlos, aos 92 anos, deixou um silêncio carregado de saudade na televisão brasileira. Para muitos atores que deram vida às suas histórias, era como perder um membro da família. Susana Vieira foi uma das que recebeu a notícia com o coração apertado, e numa conversa sincera, ela dividiu um pouco do que viveu ao lado do autor, carinhosamente chamado de Maneco nos corredores da Globo.

A parceria entre os dois gerou frutos inesquecíveis para o público. Quem não se lembra da arrogante e hilária Branca, de “Por Amor”? A personagem se tornou um verdadeiro fenômeno, um ícone atemporal. Susana Vieira reconhece, com um sorriso, que foi a genialidade de Maneco que a transformou em uma lenda dos memes na internet, muito antes de isso ser comum.

As frases absurdas e deliciosamente ácidas de Branca Letícia ecoam até hoje nas redes sociais. “Vocês são uns bostas!”, gritava ela para os filhos, em cenas que marcaram época. Na visão da atriz, aqueles diálogos eram mais do que piadas; eram reflexos precisos das contradições das famílias brasileiras. Maneco usava o humor como uma lâmina afiada.

Por trás das polêmicas, havia um profundo conhecimento da alma humana. Susana revela que a passagem de Manoel Carlos por um seminário na juventude moldou seu olhar. Dessa experiência, ele extraiu um senso crítico aguçado sobre instituições como a família e a religião. Suas histórias, portanto, não eram simples entretenimento.

Eram verdadeiros retratos de uma época, cheios de nuances e questionamentos. O autor tinha a coragem de colocar na boca de seus personagens – especialmente em vilões como Branca – as verdades inconvenientes que muitos pensavam, mas não ousavam dizer. Era uma liberdade criativa que, segundo Susana, os tempos atuais talvez não permitissem com a mesma naturalidade.

O que seria cortado hoje como politicamente incorreto, na década de 90 era encarado como uma sátira social poderosa. A atriz pondera que o mundo mudou, e a forma de fazer humor também. No entanto, a essência do trabalho de Maneco permanece atual: a capacidade de observar o ser humano, com todos os seus defeitos e hipocrisias, e transformar isso em arte.

Para além do escritor brilhante, Susana guarda na memória o amigo de casa sempre aberta. Ela descreve Manoel Carlos como uma pessoa generosa, de abraço acolhedor e espírito jovial. Sua genialidade não estava apenas nos textos, mas na forma como ele se relacionava com as pessoas ao seu redor, inspirando afeto e lealdade.

Seu legado não são apenas as tramas e personagens que povoaram a telinha por décadas. É a emoção verdadeira que ele conseguia transmitir, o “amor” que Susana tanto menciona. Maneco contava histórias sobre pessoas, para pessoas, com um olhar que misturava crítica e uma dose enorme de compaixão.

A televisão perdeu um de seus grandes narradores, mas suas criações seguem vivas. Elas continuam a fazer rir, a provocar reflexão e a emocionar novas gerações, que descobrem suas novelas em reprises e plataformas online. Manoel Carlos se foi, mas o abraço querido de suas histórias permanece.

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