O mês de janeiro fechou com uma notícia importante para as contas públicas. O governo federal registrou um superávit primário de quase R$ 87 bilhões. Esse valor significa que a arrecadação com impostos foi maior do que todos os gastos do governo, sem contar os juros da dívida.
Trata-se de um bom começo de ano, mas com um detalhe. O resultado foi um pouco menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado. A economia segue em movimento, mas os gastos também cresceram, o que exige atenção.
Entender esse conceito é simples. Imagine as finanças da sua casa. Se você recebe mais do que gasta no mês, sobra dinheiro. É um superávit. Se gasta mais do que recebe, fica no vermelho. É um déficit. Com o governo é a mesma lógica, só que em escala bilionária.
O que gerou esse resultado em janeiro?
O grande motor foi a arrecadação federal. Ela atingiu o maior patamar para meses de janeiro desde 1995. Dois fatores explicam isso: a economia que continua se expandindo e uma carga tributária que, de fato, aumentou. Mais atividade gera mais impostos.
De um lado, as receitas líquidas somaram R$ 272,8 bilhões. Do outro, as despesas totais ficaram em R$ 185,9 bilhões. A diferença positiva entre esses dois números é o superávit que vimos. As contas fecharam no azul, mas com um ritmo de gastos acelerado.
Os gastos que mais subiram foram com benefícios previdenciários e com o funcionalismo público. Aposentadorias e pensões pesaram R$ 4 bilhões a mais, puxadas por mais beneficiários e reajustes. Já as despesas com servidores aumentaram R$ 3,3 bilhões, devido a acordos salariais.
E a meta fiscal para os próximos anos?
A lei define uma meta ambiciosa para 2026: um superávit de 0,25% do PIB. Em valores aproximados, isso representaria cerca de R$ 34 bilhões. A regra ainda permite uma margem de tolerância, dando algum fôlego para o planejamento do governo.
No entanto, existe uma complexidade nas regras. A legislação permite que certas despesas obrigatórias, como o pagamento de precatórios, sejam retiradas do cálculo oficial. São dívidas antigas do governo com cidadãos e empresas, decididas pela Justiça.
Quando se faz a conta incluindo esses pagamentos, a projeção real para 2026 vira um rombo de R$ 23 bilhões. Ou seja, mesmo que o resultado oficial apareça como positivo, a pressão sobre as contas públicas continua muito forte. É um desafio que permanece no horizonte.
Manter o equilíbrio é um trabalho contínuo. O superávit de janeiro é um alívio inicial, mas não apaga os obstáculos pela frente. O crescimento das despesas obrigatórias segue firme, demandando um cuidado constante com cada real arrecadado.
O caminho para os próximos anos será de decisões difíceis. Encontrar um ponto estável entre arrecadar, gastar com qualidade e honrar compromissos antigos não é tarefa simples. As contas públicas são um termômetro crucial para o planejamento de qualquer nação.
Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira. Ficar de olho nesses números ajuda a entender para onde o país está indo. Eles refletem escolhas que, no fim do dia, impactam a vida de todo mundo.
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