A saída de Rúben Amorim do Manchester United ainda ecoa nos corredores de Old Trafford. A demissão do português, na última segunda-feira, abriu um vácuo que a diretoria ainda não conseguiu preencher. Enquanto isso, os nomes que circulam para assumir o comando deixam muitos torcedores e analistas com mais perguntas do que respostas.
As negociações estão oficialmente em andamento com dois rostos conhecidos do clube: Ole Gunnar Solskjaer e Michael Carrick. Apesar do avanço nas conversas, a direção mantém um silêncio oficial sobre quem será o escolhido. Essa indefinição joga um clima de incerteza sobre o elenco no momento mais decisivo da temporada.
A situação atual coloca Darren Fletcher, o técnico interino, no centro das atenções. Ele assumiu as rédeas do time principal após comandar as categorias de base. Seu primeiro teste foi um empate contra o Burnley, e agora ele se prepara para um desafio importante pela FA Cup. A permanência dele, no entanto, é vista como uma solução temporária enquanto a cúpula decide o futuro.
A polêmica nas possíveis contratações
Para o jornalista Kaveh Solhekol, da Sky Sports, a simples consideração desses dois nomes é difícil de entender. Ele questiona a lógica de buscar treinadores que já passaram pelo clube sem deixar um legado vitorioso. A pergunta que fica é: o que Solskjaer e Carrick fizeram, desde que saíram, para provar que são melhores do que Amorim?
Solhekol lembra os momentos difíceis do período de Solskjaer no comando. A saída do norueguês, há quatro anos, foi marcada por uma série de resultados negativos. Derrotas pesadas para rivais diretos e uma campanha modesta na Premier League pintaram o quadro de sua despedida. Voltar a apostar nele agora parece, para muitos, um passo atrás.
Já Michael Carrick, um ex-jogador brilhante do clube, também não construiu um currículo técnico que impressione. Sua experiência mais longa foi no Middlesbrough, time da segunda divisão inglesa, sem grandes conquistas ou acesso à elite. Colocar seu nome na disputa pelo cargo de um dos maiores clubes do mundo soa, no mínimo, arriscado.
Os números que sustentam a dúvida
Analisando friamente os registros, a escolha por qualquer um dos dois parece uma aposta. Rúben Amorim não teve um aproveitamento espetacular, mas mostrou evolução nesta temporada. Seu retrospecto, ainda que modesto, serve como parâmetro para medir os candidatos.
A passagem de Ole Gunnar Solskjaer pelo Besiktas, após sair do United, não foi convincente. Ele foi demitido do clube turco com um aproveitamento que não empolga: apenas 15 vitórias em 29 partidas disputadas. Esse curto período longe dos holofotes da Premier League não adicionou novos créditos ao seu histórico.
Michael Carrick, por sua vez, colecionou 136 jogos no Middlesbrough. Seu balanço final de 63 vitórias, 24 empates e 49 derrotas reflete uma trajetória mediana. O time nunca chegou perto de disputar o acesso à primeira divisão inglesa. Esses números não sugerem que ele tenha a experiência necessária para assumir um projeto do tamanho do Manchester United.
O cenário atual e o que esperar
Enquanto a diretoria não anuncia uma decisão, a rotina do clube segue com Darren Fletcher no comando técnico. Sua estreia já aconteceu e o próximo desafio é um jogo válido pela FA Cup. A interinidade dele oferece um respiro, mas também pressiona por uma definição rápida.
O mercado observa com curiosidade os movimentos de Old Trafford. A opção por nomes do passado, em vez de uma busca por um técnico com novo perfil, sinaliza uma possível falta de direção ou de planejamento a longo prazo. Essa é a crítica principal de analistas como Solhekol.
O futuro imediato do Manchester United, portanto, segue em suspenso. A torcida aguarda não apenas um nome, mas um projeto claro. Se a escolha recair sobre Solskjaer ou Carrick, a justificativa terá que ser muito sólida para convencer um público que anseia por títulos e consistência.
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