Os ministros do Supremo Tribunal Federal seguem com a sensação de que o tribunal não sairá do centro do debate político tão cedo. Mesmo com o fim do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, a avaliação interna é que as eleições para o Senado, em 2026, manterão a corte no alvo. O impeachment de integrantes do STF deve ser um dos principais motes das campanhas.
Estimativas feitas por quatro ministros indicam que até doze políticos podem chegar ao Senado usando críticas ao Supremo como bandeira. Apesar disso, não há entre os magistrados a crença de que o plano bolsonarista de formar maioria para afastar ministros vá, de fato, vingar. A ofensiva contra o tribunal, no entanto, deve se intensificar no período eleitoral.
Além da disputa de 2026, o ano trará outros desafios para a corte. A discussão sobre um código de conduta para os ministros e os questionamentos sobre a relação de alguns deles com advogados do Banco Master prometem movimentar o cenário. O STF já avalia internamente suas estratégias para lidar com os momentos de maior pressão.
Inquéritos como ferramenta de defesa
Para parte dos ministros, a manutenção de investigações que atingem o bolsonarismo funciona como um escudo contra ataques. O tribunal mantém abertos há anos o inquérito das fake news e o das milícias digitais, ambos sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O destino dessas apurações é tema de debate constante entre os magistrados.
O prolongamento desses casos é alvo de críticas pela duração incomum e pela amplitude que concedem à atuação do Supremo. O ex-presidente da corte, Luís Roberto Barroso, já pediu a Moraes o encerramento dos processos. Já o atual chefe do Judiciário, Edson Fachin, tem interesse em desacelerar essas investigações, buscando uma relação menos tensa entre os Poderes.
Alexandre de Moraes, por sua vez, defende a prorrogação dos inquéritos. Seu argumento é que o cenário político continuará conturbado em 2026, mesmo após o julgamento de Bolsonaro e a prisão de líderes da tentativa de golpe. A posição dos ministros sobre a necessidade dessas investigações, na prática, mudou ao longo do tempo, acompanhando a conjuntura política.
A tensão com o Senado e a busca por regras
A relação com o Legislativo vive um momento delicado. Recentemente, o ministro Gilmar Mendes tentou restringir as possibilidades de pedidos de impeachment no Senado, determinando que só o procurador-geral da República poderia apresentá-los. O tema gerou atrito e foi parar no Congresso, na forma de um projeto de lei.
Gilmar Mendes acabou recuando nesse ponto específico, em uma negociação que envolveu uma proposta do Senado para aumentar o quórum necessário para abrir esses processos. A maior parte dos ministros apoia a posição de Gilmar, e avalia-se que, em seu conteúdo, ela tem o aval do presidente Edson Fachin.
No entanto, Fachin enfrenta resistências internas quando o assunto é a criação de um código de ética. O presidente do STF acredita que regras claras podem reduzir a pressão pública sobre a corte. Alguns colegas, porém, temem que essas normas deixem os ministros mais vulneráveis em momentos de crise política.
Questões éticas e a sombra do caso Master
A atuação do Supremo também termina o ano sob o escrutínio de questões éticas. O caso mais emblemático envolve relações de ministros com advogados ligados ao Banco Master. O ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, procurou o presidente do Banco Central para tratar da venda do Master ao BRB.
A informação ganhou destaque porque a mulher de Moraes é sócia do escritório de advocacia contratado pelo dono do Master, em um contrato milionário. Outro episódio envolveu o ministro Dias Toffoli, que viajou em jato particular de um advogado que atende um diretor do banco, dias antes de assumir a relatoria da investigação sobre a venda.
Esses fatos alimentam a narrativa de desgaste que a oposição busca explorar. Políticos alinhados a Jair Bolsonaro expressam abertamente o desejo de conquistar uma maioria no Congresso em 2027 para fazer frente ao STF. O plano inclui tentar formar uma bancada de direita com até 50 dos 81 senadores.
A expectativa para as eleições de 2026
As eleições do próximo ano serão comandadas por um novo presidente no Tribunal Superior Eleitoral. A ministra Cármen Lúcia deixa o cargo em agosto, e a previsão é que Kassio Nunes Marques assuma o comando. A expectativa no Supremo é de que ele não faça concessões relevantes ao bolsonarismo.
Ainda assim, acredita-se que seu estilo à frente do TSE será diferente do de Alexandre de Moraes. Espera-se uma flexibilização nas regras de pré-campanha e para as plataformas digitais, com um empenho menos intenso no combate direto à desinformação. Essa mudança de postura pode alterar o clima da disputa.
O inquérito das milícias digitais, aberto em 2021, se tornou um instrumento amplo de investigação. Por meio dele, a Polícia Federal avançou sobre a trama golpista de 2022, o caso das joias recebidas por autoridades e até a falsificação de cartões de vacina. Seu futuro permanece uma peça-chave no tabuleiro político. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no Pronatec. O tribunal se prepara, assim, para mais um ano no olho do furacão, onde cada decisão técnica será lida através da lente da política. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no portal Pronatec.
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