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STF começa a julgar mandantes do assassinato de Marielle Franco oito anos depois

Oito anos depois, o Brasil acompanha um julgamento histórico. O Supremo Tribunal Federal começa a analisar esta semana quem mandou matar Marielle Franco e Anderson Gomes. O crime, que chocou o país em 2018, finalmente pode ter uma resposta após uma longa espera por justiça.

Cinco homens estão no banco dos réus. Dois deles são os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, figuras conhecidas no Rio de Janeiro. A Polícia Federal aponta os dois como os mandantes do assassinato. Eles negam qualquer envolvimento com o crime.

Também respondem ao processo um ex-chefe da Polícia Civil, um major da Polícia Militar e um ex-assessor. As acusações são graves: homicídio qualificado e organização criminosa. Todos estão presos e afirmam inocência. As defesas dizem que não há provas concretas ligando-os aos executores.

Os executores do crime, segundo as investigações, são dois ex-policiais. Eles foram presos em 2019. Um deles, Ronnie Lessa, fez um acordo de delação premiada em 2023. Foi esse acordo que deu um novo rumo às apurações e levou aos atuais réus.

A Polícia Federal trabalha com a tese de que o assassinato teve motivação política e disputas por poder. A investigação aponta que os irmãos Brazão teriam oferecido uma grande quantia em dinheiro para eliminar Marielle. O caso chegou ao STF porque envolve autoridades com foro privilegiado.

Agora, a Primeira Turma da Corte se prepara para o julgamento. Ele foi adiado no ano passado porque a mesma turma priorizou os processos sobre os atos golpistas de 8 de janeiro. Este será o primeiro julgamento do STF em 2025, carregado de expectativa e simbolismo.

Como funcionará o julgamento

O processo começa na terça-feira com o ministro relator, Alexandre de Moraes. Ele fará a leitura de todo o relatório, detalhando as investigações e as provas colhidas ao longo do último ano. Em seguida, o procurador-geral Paulo Gonet apresentará a acusação.

Depois, será a vez dos advogados de defesa. Eles terão a palavra para rebater as acusações e apresentar os argumentos em favor de seus clientes. Só então começará a votação propriamente dita entre os ministros da Primeira Turma.

Caso não termine em um dia, o julgamento segue na quarta-feira. O resultado será conhecido logo após o último voto, mas a publicação oficial do acórdão pode levar até duas semanas. Para formar maioria e decidir o caso, são necessários três votos.

O peso simbólico da decisão

Para a viúva de Marielle, a vereadora Mônica Benício, este processo é fundamental. Ela acredita que houve interferências nas investigações, justamente por ser um crime com envolvimento de agentes do Estado. A espera por respostas, segundo ela, foi longa e dolorosa.

Ela vê o julgamento como uma chance para o país demonstrar que pode romper com uma seletividade penal que muitas vezes protege estruturas criminosas. Nada trará Marielle e Anderson de volta, mas uma condenação exemplar é vista como um passo necessário.

Fazer justiça neste caso, para Mônica, é honrar o legado de Marielle e lutar pela transformação social que ela representava. É uma oportunidade de amadurecimento para a democracia brasileira, mostrando que os elos obscuros entre crime e política não ficarão impunes.

As possíveis penas

Analistas ouvidos pela reportagem esperam penas altas. Um advogado constitucionalista pondera que é difícil prever um caso que correu em segredo, mas a delação premiada corroborada pela PF cria um cenário forte. A Procuradoria pediu a pena máxima.

O aspecto simbólico do crime pesa muito. Não se trata apenas de um homicídio comum, mas de um atentado com motivação política, um ataque à democracia. Isso deve influenciar na dosagem da pena, aumentando a reprovabilidade do ato pelos ministros.

Outro professor de direito acredita que penas bases altas são mais prováveis do que a aplicação do máximo legal. A motivação torpe e a vulnerabilidade das vítimas serão fatores de aumento. O cálculo final resultará em longos anos de prisão, se houver condenação.

O país aguarda, com a esperança de que este julgamento marque um ponto de inflexão. Um sinal de que a justiça, mesmo lenta, pode alcançar todos. As informações inacreditáveis deste caso mostram a complexidade de combater o crime organizado no Brasil.

A conclusão deste capítulo judicial é aguardada por todos que buscam um país mais justo. O desfecho trará alguma paz aos familiares e reacenderá o debate sobre segurança pública e poder. A história será contada e lembrada por muitos anos.

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