Sophie Charlotte e Arlete Salles enfrentam situação inusitada durante gravação da série “Três Graças” em São Paulo
A filmagem de uma cena da novela “Três Graças” virou um verdadeiro desafio neste último fim de semana. A equipe estava toda reunida na Praça Ramos, no centro de São Paulo, pronta para capturar um momento importante entre as personagens Josefa e Gerluce. Tudo parecia organizado para fluir sem maiores problemas, com direito a figurino, equipamentos e até o almoço já resolvido. O plano, no entanto, esbarrou em uma das coisas mais típicas da cidade: um bloco de Carnaval.
O grupo Maracatu, que animava a região, começou a tocar bem perto do local das filmagens. A produção, é claro, pediu educadamente para que o som fosse interrompido, pelo menos por alguns instantes. Em vez de diminuir o volume, o bloco decidiu se aproximar ainda mais do set. O que era para ser um ambiente controlado virou uma festa improvisada, com muitos curiosos se aglomerando para ver o que acontecia. A confusão estava feita, e os planos da Globo precisaram ser revistos sobre a marcha.
O atraso foi de mais de uma hora, um baita transtorno para qualquer produção com cronograma apertado. A cena, que deveria ter começado às duas da tarde, só pôde ser rodada bem depois. O maior problema, segundo a equipe, foi a perda do chamado “plano livre para a câmera”. Com tanta gente ao redor, fica difícil capturar as imagens sem aparecer um celular gravando ou um espectador curioso no enquadramento. Um verdadeiro quebra‑cabeça para diretores e cinegrafistas.
O que estava sendo gravado
A cena em questão trazia Josefa, vivida por Arlete Salles, e sua filha Gerluce, interpretada por Sophie Charlotte, em uma situação bem complicada. As duas passariam por um perrengue e teriam de seguir a pé até a frente do Theatro Municipal. O local não foi escolhido por acaso: é ali que a mãe da vilã terá novas recordações, em um momento carregado de emoção para a trama.
A escolha do bairro da República, com sua arquitetura histórica e movimento intenso, sempre agrega realismo às produções. No entanto, a imprevisibilidade das ruas acaba se tornando um personagem extra, nem sempre bem‑vindo. Enquanto as atrizes se preparavam para a sequência dramática, o bloco de rua seguia com seu som alto e animado, criando um contraste inesperado entre a ficção e a realidade.
Romulo Estrela também estava no local, completando o trio de talentos em ação. Apesar do contratempo, o elenco manteve a profissionalidade, esperando pacientemente até que a situação se normalizasse. Cenários externos sempre trazem esse risco, mas também dão autenticidade às histórias. A vida real, afinal, não para porque uma novela está sendo filmada.
Os impactos práticos na produção
Imagine a logística para gravar uma cena dessas: carros de som, cabos, câmeras, microfones e dezenas de profissionais coordenando cada movimento. Tudo foi montado desde as onze da manhã, com direito a estrutura de apoio e alimentação para toda a equipe. Quando um imprevisto desses acontece, a reorganização consome tempo e recursos que já estavam contados.
O “plano livre” é essencial para garantir que a câmera se mova sem capturar elementos indesejados, como placas, pessoas ou veículos que não fazem parte da cena. Com a rua lotada, esse espaço simplesmente desaparece. A produção precisa, então, ajustar enquadramentos, remarcar horários e, em alguns casos, até alterar o roteiro do dia para compensar o tempo perdido.
Apesar de tudo, esses contratempos fazem parte do dia a dia de quem trabalha com televisão. A cidade pulsa, os eventos surgem e a gravação precisa se adaptar. O importante, no final, é que a cena foi concluída, mesmo que com um pouco mais de esforço. E os fãs, quando assistirem ao capítulo, nem desconfiarão do pequeno caos que foi necessário superar para que aqueles minutos chegassem até a tela.