Você sempre atualizado

Só 4 em cada 10 idosos que relatam depressão recebem diagnóstico, aponta estudo

Você já parou para pensar como nosso avô ou nossa avó está se sentindo de verdade? Muitas vezes, a tristeza ou a solidão na terceira idade são vistas como algo normal da idade. Mas um estudo recente traz um alerta importante. Pesquisadores brasileiros e britânicos descobriram algo que precisa da nossa atenção.

Eles analisaram dados de quase sete mil pessoas com mais de 60 anos. A conclusão foi clara: entre os idosos que se sentiam deprimidos, apenas quatro em cada dez tinham recebido um diagnóstico médico de depressão. Isso mostra uma grande lacuna entre o que a pessoa sente e o cuidado que ela de fato recebe.

Isso não significa que todo mundo que se sente triste está com depressão. O professor Jefferson Traebert, um dos autores do estudo, explica que a autopercepção é um sinal de alerta. Ela pode indicar uma predisposição. Por isso, médicos da atenção primária e as políticas públicas precisam ficar atentos a esses relatos.

Quem está mais vulnerável?

O estudo foi além e identificou quais grupos de idosos apresentam maior risco. Os fatores são sociais e de estilo de vida. As mulheres, por exemplo, têm um risco mais de duas vezes maior de desenvolver depressão em comparação com os homens. É um dado que pede um olhar mais cuidadoso.

Outro ponto interessante foi a relação com a escolaridade. Idosos com até oito anos de estudo apresentaram maior prevalência do que aqueles sem instrução. Parece contraditório, mas os pesquisadores têm uma hipótese. Pode ser o reflexo de um descompasso entre as expectativas criadas com algum estudo e as oportunidades reais que a vida ofereceu.

O estilo de vida também conta muito. O sedentarismo aparece como um fator de risco claro. Por outro lado, a prática de atividade física é um poderoso fator protetivo para a saúde mental. Uma recomendação prática e acessível surge daí: movimentar o corpo é crucial.

O perigo de normalizar o sofrimento

Um dos grandes alertas do estudo é sobre um hábito perigoso: naturalizar a tristeza na velhice. Achar que é normal o idoso se sentir só ou desanimado. Esse pensamento pode levar à negligência com a saúde mental dessa população. O sofrimento psíquico não é natural em nenhuma fase da vida.

A pesquisa também trouxe uma surpresa. A situação conjugal, seja casado ou solteiro, não mostrou significância estatística como fator de risco ou proteção. Isso vai contra a ideia comum de que o casamento seria sempre um escudo contra a depressão. Cada caso é um caso.

Onde buscar ajuda, então? A porta de entrada é a atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde do SUS. É fundamental que os idosos se sintam acolhidos para falar desses sentimentos, não apenas de dores físicas. Muitas vezes, a pessoa nem reconhece seu próprio sofrimento emocional.

O desafio do diagnóstico

Diagnosticar depressão em idosos não é simples. Os sintomas muitas vezes se confundem com aspectos do envelhecimento. Cansaço, falta de energia, perda de interesse, problemas de memória e irritabilidade podem ser vistos apenas como “coisa de idade”. Um dado de 2017 já mostrava que metade dos casos passava despercebida nos postos de saúde.

Por isso, os pesquisadores recomendam combinar o que o idoso relata com avaliações objetivas. A equipe de saúde precisa estar treinada para fazer as perguntas certas. O relato do paciente é a peça central do quebra-cabeça, mas ele precisa ser investigado com cuidado.

A mensagem final é de atenção e escuta. Precisamos olhar para os nossos idosos com mais cuidado, reconhecendo que suas queixas emocionais são tão válidas quanto as físicas. Um acompanhamento atento pode fazer toda a diferença para a qualidade de vida nessa fase tão importante.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.