Desde que deixou a bancada do Jornal Nacional, William Bonner vive uma sensação curiosa. Ele brinca que se sente como se tivesse “morrido”, tal é a mudança em sua rotina. A frase, dita com bom humor, reflete uma surpresa positiva com essa nova fase.
A reação das pessoas nas ruas mudou completamente. O jornalista percebeu uma drástica redução nas hostilidades que enfrentava. Em vez de críticas, agora recebe elogios e agradecimentos por seu trabalho ao longo dos anos.
Ele conta que, em aeroportos, muitos ainda dizem sentir sua falta no JN. No entanto, as pessoas entendem sua decisão de buscar novos caminhos. Elas também fazem questão de elogiar César Tralli, seu substituto.
Uma nova relação com o público
Bonner acredita que o país está respirando um ar diferente. Após um período de intensa polarização, a relação do público com o jornalismo parece mais equilibrada. Os anos seguintes às eleições de 2018 foram especialmente difíceis para os profissionais da imprensa.
Agora, depois de superar uma tentativa de golpe, a hostilidade parece ter arrefecido. O jornalista não sabe se é menos odiado, mas sente que a agressividade contra repórteres seria malvista hoje. É um clima de maior respeito e normalidade.
Essa mudança de ambiente coincide com uma transformação pessoal em sua carreira. Ao lado de Sandra Annenberg no Globo Repórter, ele busca um tom mais descontraído. A dupla decidiu abolir o teleprompter para soar mais natural.
Os desafios de um novo começo
A adaptação a esse estilo mais solto trouve seus percalços. Nas gravações do primeiro programa, eles precisaram interromper as tomadas mais de quarenta vezes. Errar faz parte do processo de aprender a conversar de verdade na frente das câmeras.
Para Bonner, é uma mudança inédita depois de quase três décadas de rotina intensa e previsível. A nova agenda lhe permite jantar com a família, viajar com mais frequência e visitar os filhos que moram fora. São pequenos luxos que a antiga função não permitia.
Além de apresentar, ele agora também atua como repórter. Na estreia do novo formato, ele participa de uma matéria sobre brasileiros vivendo em Nova York. Ele admite sentir borboletas no estômago, mas celebra a volta dessa adrenalina saudável.
Repercussões na programação da Globo
A saída de Bonner do Jornal Nacional gerou um efeito dominó nos telejornais da emissora. César Tralli assumiu a bancada principal após deixar o Jornal Hoje. Para preencher a vaga dele, Roberto Kovalick migrou do Hora Um para a edição do meio-dia.
A cobertura das eleições será uma grande prioridade neste ano. Os debates eleitorais vão ao ar mais cedo, logo após o Jornal Nacional, para alcançar um público maior. Nos dias de debate, a novela das nove não terá capítulos inéditos.
O Fantástico também prepara novidades. Uma série de reportagens vai explorar o universo dos adolescentes, inspirada no sucesso de produções sobre o tema. A atração ainda terá um especial sobre a América Latina, com Maju Coutinho viajando por países vizinhos.
Outros projetos incluem matérias sobre a tensão geopolítica entre Estados Unidos e China. Haverá também um raio-x dos sistemas de metrô pelo Brasil. Um quadro muito querido pelo público, onde pessoas autistas entrevistam celebridades, será retomado. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.