A tentativa de fuga começou de forma silenciosa, no meio da noite de Natal. Por volta das três horas da madrugada do dia 25, o sinal da tornozeleira eletrônica que Silvinei Vasques usava simplesmente parou de transmitir sua localização. Esse foi o primeiro indício de que algo estava errado. O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, condenado a mais de 24 anos de prisão por envolvimento em atos golpistas, não estava mais em seu apartamento em São José, Santa Catarina.
Horas depois, por volta das vinte horas do mesmo dia, a Polícia Penal de Santa Catarina foi acionada para verificar o sumiço do sinal. Eles confirmaram que o apartamento estava vazio. Apenas às vinte e três horas, uma equipe da Polícia Federal em Santa Catarina chegou ao local para investigar o descumprimento das medidas judiciais. O tempo entre a falha do monitoramento e a ação das autoridades foi crucial para os planos de Vasques.
Ele não saiu às pressas. Testemunhas e investigações indicam que, pouco antes de romper o monitoramento, o ex-diretor organizou calmamente seus pertences. Vestindo roupas casuais, como calça de moletom e boné, ele carregou bolsas, tapetes higiênicos para cachorros e até seu pitbull para um carro alugado. Esse veículo seria seu meio de transporte na longa viagem rumo ao Paraguai.
O plano de fuga e a prisão
O destino escolhido para escapar da Justiça brasileira foi o Paraguai. Silvinei Vasques dirigiu o carro alugado até cruzar a fronteira, chegando ao aeroporto de Assunção. Seu objetivo era embarcar em um voo com destino a El Salvador, um país da América Central. No entanto, para realizar essa viagem internacional, ele precisava de um documento que seu passaporte brasileiro, certamente bloqueado, não poderia fornecer.
Foi então que ele apresentou um passaporte paraguaio, falsificado em nome de “Julio Eduardo”. Com esse documento, ele tentou comprar a passagem e seguir viagem. O que ele não contava era com a rápida articulação entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades paraguaias. A PF já havia acionado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que decretou sua prisão preventiva.
A prisão aconteceu nesta sexta-feira, dia 26, dentro do aeroporto de Assunção. Ele foi detido antes de conseguir embarcar. Naquele momento, a fuga que começou em Santa Catarina chegava ao fim, do outro lado da fronteira. A ação conjunta impediu que um condenado por crimes graves contra a democracia conseguisse se evadir do país.
A carta e as alegações de saúde
Ao ser preso, Silvinei Vasques portava um documento curioso: uma carta manuscrita. Nela, ele alegava condições de saúde extremamente graves. O texto dizia que o ex-diretor estava cego, surdo e incapaz de falar, podendo se comunicar apenas por escrito. A justificativa para esse estado seria um suposto tratamento médico em Foz do Iguaçu, que teria causado tais efeitos colaterais.
A carta ainda mencionava que ele viajava para El Salvador justamente para buscar um tratamento médico especializado. No entanto, a alegação contrastava fortemente com as imagens e relatos de seus movimentos anteriores. O mesmo homem que, horas antes, carregou bags e seu cachorro para um carro com precisão, agora declarava incapacidades sensoriais totais.
A defesa de Silvinei Vasques foi procurada para comentar o caso, mas não se manifestou sobre o conteúdo da carta ou as circunstâncias da prisão. As informações, inicialmente reveladas pela imprensa, foram confirmadas por várias fontes. A situação levanta questões sobre as alegações e o momento em que foram apresentadas, apenas quando sua fuga foi interrompida pela polícia.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.