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Rússia lamenta fim de tratado nuclear com os EUA, que querem incluir China em futuros acordos

O mundo acordou com uma notícia que parecia coisa de filme antigo, mas é bem real. Um dos principais acordos que mantinham as maiores bombas do planeta sob controle acabou de expirar. Sem alarde, mas com um peso histórico, o tratado nuclear entre Rússia e Estados Unidos chegou ao fim nesta quinta-feira.

Isso muda o jogo de uma forma que não víamos desde os tempos da Guerra Fria. O acordo, conhecido como Novo START, era como um freio de segurança. Ele limitava o número de ogivas nucleares que cada país podia ter pronto para uso. Agora, esse freio não existe mais.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, não escondeu a preocupação. Ele disse que o governo russo vê o fim do pacto "de forma negativa" e lamentou o ocorrido. Do outro lado, os Estados Unidos não aceitaram a proposta russa de estender o acordo por mais um ano. O impasse deixou o tratado sem sobrevida.

O que levou ao fim do acordo?

A decisão final partiu de Washington. O presidente americano na época, Donald Trump, não respondeu ao pedido de extensão feito por Vladimir Putin. A condição dos Estados Unidos era clara: qualquer novo tratado teria que incluir a China na mesa de negociações. A Rússia, por sua vez, se disse aberta ao diálogo.

O assessor diplomático de Putin, Yuri Ushakov, afirmou que o país agirá com "prudência e responsabilidade". Ele garantiu que Moscou continua disposta a buscar caminhos para garantir a estabilidade estratégica. No entanto, com o fim do documento, as duas potências estão formalmente livres das restrições que as prendiam.

Isso significa que, teoricamente, nada impede que comecem a produzir e implantar mais ogivas nucleares. A última inspeção mútua dos arsenais aconteceu em 2023 e já estava suspensa. O cenário é de incerteza, com um vácuo que preocupa especialistas em segurança global.

E a China nessa história?

A posição chinesa foi um dos pontos centrais do impasse. Os Estados Unidos insistiram que Pequim deveria fazer parte de um futuro acordo. No entanto, a resposta da China foi firme: eles não vão participar de negociações de desarmamento nuclear "nesta etapa".

O porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian, justificou. Ele argumentou que o arsenal nuclear do país é de uma "escala totalmente diferente" se comparado ao dos EUA e da Rússia. Analistas internacionais estimam que a China possui cerca de 550 lançadores estratégicos, um número menor que os 800 de cada uma das outras duas potências.

Enquanto isso, os arsenais do Reino Unido e da França, aliados dos americanos, somam juntos cerca de cem lançadores. O crescimento rápido do poderio chinês, porém, é um fator que altera o equilíbrio de forças e preocupa as outras nações.

Por que esse tratado era tão importante?

O Novo START não era um papel qualquer. Firmado em 2010, ele impunha um teto concreto: cada lado podia ter no máximo 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas. Isso representava uma redução de quase 30% em relação ao limite anterior, de 2002. Era um passo real para conter uma corrida armamentista.

Além dos números, o acordo permitia algo crucial: a verificação. Inspeções in situ garantiam que ambos os lados cumpriam o que foi combinado. Era uma relação baseada em alguma transparência, mesmo num tema tão sensível. A suspensão dessas inspeções, no ano passado, já era um mau sinal.

Agora, sem essas regras, a desconfiança pode aumentar. O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou o momento de "sério para a paz e a segurança internacionais". Ele pediu que Washington e Moscou voltem à mesa de negociações sem demora. A Otan também pediu "moderação e responsabilidade", criticando o que chamou de "retórica nuclear irresponsável" da Rússia.

Qual é o risco real para o mundo?

O temor de uma nova corrida armamentista não é exagero. Sem limites formais, a dinâmica de "um produz, o outro também produz" pode se reinstalar. É um jogo perigoso, onde a segurança de um é vista como a insegurança do outro. A diplomacia precisa agir rápido para evitar esse cenário.

Um funcionário da Otan, em condição de anonimato, afirmou que a aliança tomará "os passos necessários" para garantir sua defesa. O alerta veio até de vozes que raramente se manifestam sobre o tema, como a do papa, que fez um apelo urgente para que não se abandone esse instrumento sem um substituto à altura.

O mundo ficou um pouco mais instável nesta quinta-feira. Dois gigantes seguem agora sem as regras que os mantinham em cheque. O convite para um novo diálogo está sobre a mesa, mas ninguém sabe quem dará o primeiro passo. Enquanto isso, o relógio da diplomacia continua correndo.

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