O senador Romário está no centro de uma disputa judicial que agora afeta diretamente seu salário. A Justiça de São Paulo determinou a penhora de trinta por cento da sua remuneração no Legislativo. O ex‑jogador recorreu da decisão, afirmando que o impacto financeiro é severo para sua rotina.
Ele alega que a retenção dos valores provoca um impacto material irreversível em suas finanças. Romário sustenta que a medida é ilegal e retira recursos essenciais para sua própria sobrevivência. O caso gira em torno de uma dívida de aproximadamente trinta e quatro mil reais.
A origem dessa dívida é uma condenação por danos morais já transitada em julgado. O crédito é do ex‑presidente da CBF Marco Polo Del Nero. Como as contas bancárias do senador não tinham valores, a Justiça partiu para a penhora do salário.
A decisão judicial e seus efeitos
A ordem de penhora foi emitida em julho deste ano. Ela determina que cerca de trinta por cento do salário bruto de Romário seja retido mensalmente. Atualmente, um senador recebe o valor de R$ 46.366,19 por mês.
Isso significa uma retenção próxima de catorze mil reais a cada pagamento. O dinheiro será descontado até a quitação total do débito. O Tribunal de Justiça negou um pedido para suspender imediatamente a medida cautelar.
O relator do processo, desembargador Vitor Kümpel, manteve a penhora. Ele afirmou não haver elementos que demonstrem risco de dano irreparável ao senador. A medida segue válida até o julgamento definitivo do recurso apresentado pela defesa.
A origem da longa disputa
Tudo começou em setembro de 2013, quando Romário era deputado federal. Em uma entrevista, ele afirmou que Marco Polo Del Nero, então presidente da Federação Paulista, deveria ser preso. O ex‑jogador disse ainda que o dirigente merecia passar cem anos na cadeia.
Del Nero entrou na Justiça alegando que as declarações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão. Segundo ele, as críticas foram uma retaliação por uma decisão política dentro da CBF. O grupo de Del Nero havia rejeitado um pedido de Romário para assumir o controle do futebol feminino nacional.
Na defesa, o parlamentar invocou a imunidade parlamentar, pois as falas ocorreram quando ele presidia uma comissão da Câmara. Romário sustentou que seu objetivo era defender uma gestão íntegra nas entidades esportivas. Ele afirmou que sua intenção era criticar e não ofender pessoalmente o adversário.
O desfecho na Justiça e os desdobramentos
Os argumentos de defesa, porém, não foram aceitos pela Justiça cível. Romário foi condenado a indenizar Del Nero por danos morais. O ex‑jogador recorreu em todas as instâncias, mas perdeu todas as etapas do processo.
Como a indenização não foi paga integralmente, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias em abril deste ano. No entanto, nenhum valor foi localizado nas instituições financeiras consultadas. Essa situação levou à ordem de penhora sobre a fonte de renda mais estável do senador.
Agora, a bola está com o Tribunal de Justiça, que analisará o mérito do recurso de Romário. Enquanto isso, os descontos no salário continuam sendo feitos mensalmente. O caso ilustra como decisões judiciais antigas podem ter consequências práticas muitos anos depois.
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