A Polícia Federal encontrou quase meio milhão de reais dentro de um armário no apartamento do deputado Sóstenes Cavalcante. O caso chamou a atenção por um detalhe curioso: na última eleição, o parlamentar declarou possuir um patrimônio total de menos de cinco mil reais.
A descoberta faz parte da Operação Galho Fraco, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro. O foco inicial eram os contratos de locação de veículos que o deputado e seu colega Carlos Jordy mantinham com uma pequena empresa do Rio de Janeiro.
A investigação apontou que funcionários dos gabinetes desses políticos movimentaram valores enormes, na casa dos milhões. Diante dessas cifras, a pergunta que fica é: de onde teria vindo tanto dinheiro?
Os números das locações
Ao analisar os dados públicos da Câmara, é possível checar os pagamentos feitos aos dois deputados para cobrir despesas com aluguel de carros. Os valores, na verdade, não parecem fora da realidade.
Sóstenes Cavalcante alugou veículos entre 2017 e 2023. Nesse período, a empresa recebeu da Câmara cerca de 340 mil reais, em pagamentos mensais que giravam em torno de quatro mil reais. Carlos Jordy, por sua vez, utilizou o serviço entre 2019 e 2023, com custo similar.
Somando os reembolsos para os dois parlamentares, o total pago à locadora não chega a 620 mil reais. Esse valor é considerado compatível com o mercado. A questão é que ele é muito menor do que as outras movimentações financeiras flagradas na operação.
A disparidade dos valores
Enquanto os gastos com aluguel de carros foram de centenas de milhares, a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas nas contas de assessores que somam impressionantes 28 milhões de reais. A diferença é enorme, cerca de 45 vezes maior.
Os investigadores apontaram que esses funcionários recebiam e transferiam quantias altas, muitas vezes fracionadas em valores menores. Em vários casos, o destino ou a origem do dinheiro não estava claramente identificado.
Esse padrão levantou fortes suspeitas de lavagem de dinheiro. O grande mistério, no entanto, é qual seria a fonte original de todo esse dinheiro que circulava pelos gabinetes.
As perguntas que permanecem
A investigação encontrou indícios robustos de enriquecimento incomum. A grande dificuldade tem sido conectar essas movimentações milionárias diretamente à pequena locadora de veículos que era o alvo inicial.
Além do dinheiro encontrado no flat, a alegação do deputado sobre a origem do valor também gerou estranheza. Ele afirmou que se tratava da venda de um apartamento, uma justificativa que muitos consideraram frágil, dada sua declaração de bens anterior.
O caso segue em aberto, com muitas peças ainda fora do lugar. As evidências apontam para atividades irregulares, mas o esquema completo, se existir, ainda não ficou totalmente claro. A população aguarda os próximos capítulos dessa investigação.
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