Ao entrar no prédio dos Correios, na capital cearense, dois funcionários de quatro patas chamaram a atenção. Não era um dia comum. Os cães farejadores Ithor e Saymon, da Receita Federal, trabalhavam em silêncio, percorrendo pacotes e encomendas. Sua missão era simples, mas crucial: identificar odores que escapam ao olfato humano.
Naquela manhã de sexta-feira, algo despertou o interesse dos agentes caninos. Uma encomenda postal, aparentemente comum, vinha do município de Presidente Médici, em Rondônia. O destino era um endereço em Fortaleza. O faro apurado dos animais não falhou. Eles sinalizaram a presença de um conteúdo ilegal dentro daquela embalagem.
A intervenção dos fiscais foi imediata. Ao abrirem o pacote, encontraram um material vegetal compactado. Era maconha do tipo skunk, uma variedade com alto teor de THC. O volume total apreendido chegou a dois quilos e meio. No mercado ilegal, esse carregamento valeria cerca de vinte mil reais.
Como funciona a fiscalização postal
Muitas pessoas imaginam que o trabalho da Receita se limita a aeroportos e alfândegas. A verdade é que os correios são uma frente igualmente importante. Todo dia, centenas de milhares de encomendas cruzam o país. É fisicamente impossível verificar cada uma delas manualmente. É aí que entra a tecnologia e o treinamento especializado.
Os cães farejadores são uma peça-chave nessa estratégia. Animais como Ithor e Saymon passam por um rigoroso processo de adestramento. Eles aprendem a associar o cheiro de entorpecentes a uma recompensa, como um brinquedo ou um carinho. Essa técnica permite que examinem rapidamente grandes quantidades de correspondências, identificando apenas os itens suspeitos para uma inspeção mais detalhada.
Quando um pacote é flagrado, a abordagem segue um protocolo de segurança. Os agentes humanos isolam o material e registram todas as evidências. A encomenda é aberta com cuidado, sempre na presença de testemunhas. O objetivo é preservar a integridade da prova para o processo legal que virá a seguir. Tudo é documentado com fotos e vídeos.
O destino de uma apreensão
Após a retenção pela Receita, o produto apreendido não fica parado. Ele tem um caminho definido pela lei. A primeira etapa é o encaminhamento para as autoridades policiais. No caso de Fortaleza, a droga foi entregue à Polícia Civil ou à Federal, que assumem a investigação criminal. Elas buscam identificar o remetente e o destinatário.
O valor de mercado citado, os vinte mil reais, é uma estimativa. Ela é calculada com base em apreensões anteriores e no preço praticado no varejo ilegal. Esse número ajuda a dimensionar o tamanho do carregamento e a gravidade do crime. Quanto maior o valor, maior o potencial de repressão e de investigação por parte do Ministério Público.
Finalmente, o material apreendido aguarda uma decisão judicial. Após o fim do processo, a justiça pode determinar a destruição da droga. Esse ato, muitas vezes, é realizado de forma pública, em incineradoras licenciadas, com a presença de representantes do poder judiciário. O ciclo se encerra, mas o trabalho de vigilância nos correios recomeça todos os dias, com outros pacotes, outros cheiros e outras histórias.
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