Aos 33 anos, a judoca Rafaela Silva decidiu que era hora de dar uma reviravolta na carreira. Depois de tantas temporadas na categoria leve, ela encarou um desafio que muitos atletas evitam: mudar de peso. Deixou os 57 quilos para trás e subiu para o meio-médio, até 63 kg. A sensação, segundo ela, foi de recomeçar, como se fosse uma novata outra vez.
O resultado dessa coragem não demorou a aparecer. Logo em 2025, ela conquistou a medalha de ouro no Troféu Brasil. Pouco depois, subiu ao pódio no prestigioso Grand Slam de Abu Dhabi, garantindo um bronze. Mais do que os metais, porém, veio uma renovação interior. A atleta encontrou um novo ânimo e uma felicidade que há tempos não sentia nas competições.
Ela mesma admite que a relação com a balança sempre foi complicada. Com um palabar que brinca ser "infantil", manter a dieta era um tormento. A mudança de categoria trouxe um alívio e uma paz consigo mesma que se refletiram no tatame. A felicidade, afinal, é um ingrediente fundamental para quem quer seguir competindo no alto nível.
Uma nova motivação para trilhar o caminho
A transição fez Rafaela reviver as sensações do início da carreira, em 2009. Tudo parecia novo outra vez: as adversárias, as táticas, a própria dinâmica da luta. Esse frescor trouxe de volta a vontade de simplesmente segurar no quimono e lutar, sem o peso de uma história já consolidada. Foi um sopro de energia pura.
O objetivo com a mudança era claro: fazer história em uma nova categoria. Rafaela sempre gostou de desafios, e este é dos grandes. A meta é encerrar a trajetória com chave de ouro, conquistando algo inédito. Essa ambição serve como combustível para os treinos diários e para cada competição que vem pela frente.
Ela enfatiza que a decisão foi sábia. Competir feliz e satisfeita consigo mesma mudou completamente sua perspectiva. O foco agora está em aproveitar essa nova fase, com a mente leve e o coração cheio de vontade. O caminho é longo, mas cada passo é dado com mais confiança e prazer.
O planejamento rumo a Los Angeles 2028
Apesar da mudança recente, os planos olímpicos de Rafaela Silva estão mais vivos do que nunca. Ela já está dentro da zona de classificação para os Jogos de Los Angeles, em 2028. Se conseguir, será sua quarta participação olímpica e uma chance de buscar o terceiro pódio, após o ouro no Rio e o bronze em Paris.
No entanto, a judoca tenta não pensar muito no evento que está a três anos de distância. A estratégia é focar em uma competição de cada vez. Quase todos os torneios do circuito internacional valem pontos para a classificação, então o calendário é seguido à risca, trimestre a trimestre, semestre a semestre.
É um planejamento de longo prazo, meticuloso e paciente. O objetivo final está claro, mas o caminho até lá é construído dia após dia, treino após treino, luta após luta. Manter a cabeça no presente é a chave para não se perder no tamanho do sonho.
O futuro dentro e fora do tatame
Recentemente, Rafaela participou do lançamento do livro "A Coach de Ouro", de Nell Salgado, sua coach de alta performance. O evento na Barra da Tijuca foi emocionante, e a judoca não conteve as lágrimas ao dar seu depoimento. É uma parceria que tem sido fundamental nesta nova fase.
Já a relação com o Flamengo, clube que defende desde 2021, segue em aberto. Seu contrato vai até o fim de janeiro, e há conversas em andamento para uma renovação. Ela tem uma representante cuidando das negociações e pondera o que é melhor para sua carreira neste momento.
Seja no Flamengo ou em outro lugar, ela garante que a intensidade e o amor pelo judô serão os mesmos. O que importa, no fim das contas, é o que acontece dentro do tatame. O resto são detalhes de uma trajetória que ainda tem muitas páginas para serem escritas.
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