Uma vereadora de São Paulo já havia alertado a prefeitura sobre os riscos de tumulto no pré-Carnaval da rua da Consolação. Dias antes do evento, ela enviou um documento oficial expressando preocupação com a realização de dois megablocos no mesmo local. A gestão municipal respondeu que tudo estava planejado para garantir a segurança e a fluidez dos desfiles.
O aviso foi dado pela vereadora Marina Bragante no dia 5 de fevereiro. Em seu ofício, ela destacou as grandes dimensões dos blocos Skol e Acadêmicos do Baixo Augusta. A atração principal de um deles seria o famoso DJ Calvin Harris, o que naturalmente atrairia uma multidão.
O outro bloco esperava receber até um milhão e meio de pessoas. A soma desses públicos em um espaço limitado era, por si só, um sinal de alerta. A parlamentar questionou como seria a dispersão de tanta gente, especialmente no cruzamento com a avenida Paulista, ponto tradicionalmente muito movimentado.
A resposta da prefeitura antes do evento
A administração municipal respondeu através da SPTuris, empresa responsável pelos eventos. A gestão afirmou que uma comissão especial já havia tomado todas as providências necessárias para os dois blocos. O objetivo declarado era garantir que os desfiles ocorressem com total segurança e excelência.
Foram realizadas reuniões com vários órgãos, como Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana e companhia de trânsito. Além disso, vistorias técnicas definiram os pontos mais sensíveis ao longo do trajeto. O planejamento incluía a instalação de grades e a definição de acessos específicos para público, artistas e ambulantes.
A prefeitura também informou que os horários de saída dos blocos seriam diferentes. Haveria um intervalo entre um desfile e outro, permitindo até a limpeza da via. A ideia era justamente evitar a superlotação e garantir que os foliões pudessem curtir a festa com tranquilidade.
O tumulto que poderia ter sido evitado
Apesar de todo o planejamento anunciado, a realidade nas ruas foi completamente diferente. O encontro dos dois grandes blocos gerou uma superlotação perigosa na Consolação. O problema começou durante o desfile do bloco com Calvin Harris, que parou de avançar, causando um enorme empurra-empurra.
Foliões passaram mal, houve desmaios e pessoas ficaram prensadas contra as grades. A situação foi tão crítica que os artistas no palco precisaram interromper a apresentação para pedir socorro ao público. Muitos tiveram dificuldade para chegar aos postos médicos, e grades de um prédio foram derrubadas pela pressão da multidão.
Os atrasos foram inevitáveis. O show de Calvin Harris começou mais de uma hora após o previsto. Isso impactou diretamente o bloco seguinte, o Acadêmicos do Baixo Augusta, que só conseguiu sair cerca de duas horas depois do horário original. A prefeitura precisou acionar um plano de contingência, abrindo vias laterais para dispersar a multidão.
O desfecho e a avaliação das autoridades
Mesmo diante do caos relatado por milhares de foliões, o prefeito Ricardo Nunes classificou o primeiro final de semana de folia como um sucesso. A declaração contrasta fortemente com as imagens de tumulto e desespero que circularam nas redes sociais. A prefeitura havia sido alertada formalmente sobre os riscos, mas o evento seguiu como planejado.
O episódio levanta questionamentos sobre a eficácia dos protocolos de segurança para grandes aglomerações. Planos de contingência são acionados quando a prevenção falha. No Carnaval, onde as multidões são previsíveis, a gestão de riscos precisa ser proativa, e não reativa.
A cidade segue agora para os próximos dias de festa, com a esperança de que os aprendizados desse incidente sejam aplicados. A segurança do folião deve ser sempre a prioridade máxima, exigindo mais do que simples reuniões e vistorias. É preciso um olhar crítico e realista sobre a capacidade de cada rua e avenida.
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