Uma cidade pequena do Maranhão se vê no centro de um escândalo que parece saído de um roteiro de filme. Turilândia, um município com pouco mais de 35 mil habitantes, teve praticamente toda sua cúpula política investigada. O motivo é um esquema de desvio de dinheiro público que atingiu a marca dos milhões. A situação revela como a corrupção pode infiltrar todas as esferas do poder local, deixando a população sem os serviços básicos que pagam com seus impostos.
A operação policial, batizada de Tântalo II, expôs uma rede organizada. Segundo o Ministério Público do Estado, o prefeito, o vice, todos os vereadores em exercício e até a primeira-dama estariam envolvidos. A investigação aponta que o grupo criminoso era liderado pelo prefeito em exercício, Paulo Curió. O objetivo era simples: desviar recursos através de empresas de fachada.
O montante desviado chega a impressionantes 56 milhões de reais. Para se ter uma ideia do estrago, só nas pastas de saúde e assistência social, a fraude superou 43 milhões. Esse dinheiro, que deveria melhorar hospitais e ajudar famílias vulneráveis, sumiu dos cofres públicos. A população local é a maior vítima desse esquema, ficando sem investimentos essenciais em pleno 2025.
Como o esquema funcionava na prática
O mecanismo de desvio tinha um funcionamento quase industrial. Empresas controladas pelos investigados ou de fachada emitiam notas fiscais para a prefeitura. Elas cobravam por serviços que nunca foram realizados, como abastecimento de veículos ou obras públicas. Após receber o pagamento do município, a maior parte do valor era devolvida para contas controladas pelo grupo.
O contador da prefeitura, Wandson Barros, era peça-chave nesse processo. Ele indicava as contas para onde o dinheiro desviado deveria voltar. As empresas de fachada ficavam com uma comissão que variava entre 10% e 15% pelo serviço de lavagem. Um exemplo gritante: um posto de combustível recebeu mais de 17 milhões por abastecimentos que nunca aconteceram.
Os detalhes mostram a audácia do plano. A ex-vice-prefeita Janaina Lima e seu marido eram donos desse posto. A atual vice-prefeita, Tânia Mendes, e seu marido também são investigados por receber valores dessas empresas. A teia de influência era forte, com laços familiares e políticos mantendo a estrutura do esqueme.
As consequências e o desfecho judicial
Com a descoberta do esquema, a Justiça autorizou uma grande operação. Foram cumpridos 21 mandados de prisão e 51 de busca e apreensão em várias cidades do Maranhão. O prefeito Paulo Curió ficou foragido por dois dias, mas se entregou à polícia em São Luís na última quarta-feira. Sua esposa, Eva Curió, a primeira-dama, também se apresentou.
Não apenas o executivo municipal estava na mira. Todos os 11 vereadores titulares da Câmara de Turilândia são suspeitos de integrar a organização. Cinco deles, que estavam foragidos, se entregaram na quinta-feira. O presidente da casa, José Luis Araújo, mesmo em prisão domiciliar, foi autorizado a assumir a prefeitura interinamente. A cidade ficou sem sua liderança principal.
As investigações apontam para crimes graves como organização criminosa, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Os desvios ocorreram entre 2021 e 2025, durante a gestão do prefeito Curió. Enquanto os envolvidos aguardam o julgamento, a população de Turilândia precisa lidar com o prejuízo deixado para trás. O caso serve como um alerta sobre a vigilância constante necessária sobre o poder público.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.