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PM ataca trabalhadores e agride líder sindical idoso ao reprimir greve de metalúrgicos no PR

Uma operação da Polícia Militar contra trabalhadores em greve terminou em cenas de violência nesta quarta-feira. Os fatos ocorreram em frente à fábrica da Brose, uma multinacional do setor automotivo, na região metropolitana de Curitiba. Manifestantes foram alvo de spray de pimenta e um líder sindical idoso foi agredido e detido.

As imagens que circulam mostram policiais aplicando o spray diretamente no rosto de pessoas, inclusive mulheres. Em outro momento, um homem de 60 anos é imobilizado com uma mata-leão e algemado pelas costas enquanto estava no chão. Ele não oferecia resistência à prisão, conforme registrado nos vídeos.

O local do protesto era uma via de acesso exclusivo à empresa, em São José dos Pinhais. Após os ataques, algumas trabalhadoras precisaram de atendimento do Samu devido aos efeitos do gás. A situação levantou questionamentos sobre o uso desproporcional da força pela corporação.

A violência em detalhes

Os policiais militares agiram para desbloquear a entrada principal da fábrica. Eles alegam que cerca de trinta funcionários estavam impedidos de entrar para trabalhar. No entanto, os vídeos não mostram nenhuma ameaça ou agressão partindo dos grevistas antes da intervenção.

O uso do spray de pimenta pareceu indiscriminado, atingindo quem estava no local. Esse tipo de agente químico causa ardência intensa, dificuldade para respirar e irritação nos olhos. Por isso, a necessidade de socorro médico para algumas vítimas foi imediata.

A ação mais grave foi a prisão do dirigente sindical. As imagens mostram a aplicação de uma técnica de imobilização considerada perigosa, principalmente em alguém mais velho. A cena chocou quem acompanhava o protesto e rapidamente se espalhou pelas redes.

Quem é o líder sindical detido

O homem agredido e preso é Nelson Silva de Souza, de 60 anos, conhecido como Nelsão da Força. Ele é vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e uma figura conhecida na política paranaense. Sua trajetória mistura a luta sindical com a atuação em cargos eletivos.

Nelson já foi vereador na cidade de Campo Largo e, mais recentemente, candidato a deputado estadual. Sua atuação sempre esteve na linha de oposição ao atual governo do estado. Esse histórico político pode ajudar a entender a repressão específica que sofreu durante o protesto.

A polícia justificou a prisão alegando crimes de desacato e atentado contra a liberdade de trabalho. O sindicato, por outro lado, nega que houvesse bloqueio ilegal e acusa a empresa de usar a PM para intimidar os grevistas. A versão dos fatos, portanto, é completamente divergente.

As respostas institucionais

A Central Única dos Trabalhadores emitiu uma nota de repúdio às agressões. A entidade afirmou que a detenção de Nelsão reflete a dificuldade do governo em dialogar com movimentos sociais. O PT paranaense também se manifestou, cobrando a libertação imediata do sindicalista.

Os políticos pediram o afastamento dos policiais envolvidos e uma explicação formal da Secretaria de Segurança Pública. Eles reforçaram que o direito de greve é legítimo e constitucional. O uso da força, nesse contexto, é visto como uma tentativa de criminalizar a protesto.

Até o momento, não há informações sobre a liberação de Nelson. O Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público estadual foram acionados sobre o caso. A expectativa é que essas instituições apurem a conduta tanto da polícia quanto da empresa durante o conflito.

O que os trabalhadores reivindicam

A greve na Brose começou na semana passada. Os empregados buscam, principalmente, a inclusão do pagamento de PLR, um benefício que a empresa não oferece. Esse ponto é uma grande insatisfação, comum em multinacionais que operam no Brasil.

Eles também pedem um reajuste salarial que cubra a inflação medida pelo INPC, mais um aumento real de 2,5%. Outra demanda é a revisão do valor do vale-alimentação, para equipará-lo ao de outras montadoras. A jornada de trabalho também entrou na pauta de discussões.

O salário médio na fábrica é de R$ 2,5 mil, com um auxílio de R$ 500 para alimentação. Para muitas famílias, a conquista da PLR representaria uma melhora significativa no orçamento doméstico. A greve segue sem previsão de término enquanto a empresa não negociar.

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