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Planalto deve deixar a aliados ida ao STF contra derrubada de veto de Lula a dosimetria

O presidente Lula tem até a próxima segunda-feira para vetar o projeto que reduz as penas de condenados por crimes no dia 8 de janeiro. A expectativa é que ele faça isso já nesta quinta, durante uma cerimônia que marca os três anos dos ataques aos prédios dos Três Poderes. O ato no Planalto reunirá políticos aliados e simpatizantes, que poderão acompanhar tudo por telões do lado de fora.

A decisão de Lula, porém, não é a palavra final. O Congresso tem o poder de derrubar esse veto, e os números mostram que essa possibilidade é real. Na Câmara, o projeto foi aprovado com folga, por 291 votos a 148. No Senado, a diferença foi menor, mas ainda assim favorável à redução das penas.

O próprio presidente reconhece que esse é um jogo político. Em recente declaração, ele lembrou que tem o direito de vetar, mas o Legislativo também tem o direito de derrubar seu veto. O que está em jogo agora é justamente esse cabo de guerra entre os Poderes, com desdobramentos que podem ir parar no Supremo Tribunal Federal.

A batalha política no Congresso

Caso o veto seja derrubado, a briga deve continuar em outra arena. A avaliação jurídica do Planalto é de que o projeto é inconstitucional. Por isso, se ele for aprovado pelo Congresso, a tendência é que partidos aliados do governo entrem com uma ação no STF para tentar barrar a mudança.

Alguns ministros da corte, no entanto, já sinalizaram que podem aceitar uma redução de penas, desde que analisada caso a caso. Eles veem essa proposta como um meio-termo, uma alternativa mais palatável do que um perdão puro e simples para os condenados. A trama golpista resultou em sentenças severas, incluindo a de 27 anos de prisão para Jair Bolsonaro.

A movimentação no Congresso é intensa. Líderes governistas estão focados no ato desta quinta, mas já se fala em novas mobilizações para pressionar os parlamentares a manterem o veto. O objetivo é evitar que a derrubada aconteça, mas as contas mostram que o caminho será difícil.

O simbolismo do 8 de janeiro e a opinião pública

A cerimônia desta quinta ganha um significado especial. É a primeira vez que a data é lembrada com os principais acusados pelos ataques já condenados e presos. A ministra Gleisi Hoffmann destacou esse fato, ligando as punições a uma questão de soberania nacional.

O discurso da soberania não é novo. Ele ressurge em um momento de tensões geopolíticas, servindo para unir a base do governo. A fala da ministra deve ecoar nos demais aliados durante o evento. A ideia é reforçar a narrativa de que a Justiça foi feita e que o país precisa se proteger de novas ameaças.

A opinião pública parece favorável a essa linha. Pesquisa recente do Datafolha indica que 54% dos brasileiros consideram justa a prisão de Bolsonaro. Para o governo, defender o veto é uma forma de se alinhar com a maioria da população e aglutinar eleitores que rejeitam o ex-presidente. É uma disputa que vai além do jurídico, travada também no campo político e da percepção popular.

Os próximos passos e o jogo de Poderes

Após o anúncio do veto, a bola estará com o Congresso. O placar das votações anteriores sugere que há votos suficientes para derrubá-lo tanto na Câmara quanto no Senado. Se isso ocorrer, a lei entra em vigor, mas sua vida pode ser curta diante de uma batalha judicial iminente.

O episódio revela as fissuras no relacionamento entre os Poderes. Nota-se a ausência dos presidentes da Câmara e do Senado na cerimônia do Planalto, um sinal de distanciamento. O que uniu a cúpula do país em 2023, após os ataques, parece ter perdido força com o tempo.

Tudo agora depende de cálculos políticos e jurídicos. O governo tentará sustentar seu veto no Congresso e, se necessário, no STF. A oposição trabalha para garantir os números da derrubada. Enquanto isso, a sociedade acompanha mais um capítulo de um debate que mistura justiça, política e a memória de um dos dias mais turbulentos da recente democracia brasileira.

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