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Piloto suspeito de exploração sexual deixava claro que ‘gostava de criança’, diz delegada

Um piloto de uma grande companhia aérea foi preso em São Paulo, acusado de comandar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes. A operação policial revelou um esquema cruel, que funcionava há anos, aliciando vítimas em troca de pequenos pagamentos.

O suspeito, de 60 anos, aproveitava-se da vulnerabilidade de famílias em situação de necessidade. Ele abordava mães e avós, oferecendo dinheiro para contas básicas, medicamentos e até aparelhos de televisão. Em troca, exigia fotos, vídeos e acesso sexual às crianças e adolescentes.

A polícia já identificou dez vítimas, mas a investigação segue para localizar outras. Os crimes podem ter começado há pelo menos oito anos, indicando uma ação prolongada e calculista. As vítimas tinham idades entre 11 e 17 anos quando os abusos se iniciaram.

Como a rede criminosa operava

O piloto tinha um método específico para encontrar suas vítimas. Ele frequentava regiões periféricas da cidade, onde a situação financeira das famílias era mais frágil. Com seu poder econômico, comprava o silêncio e a conivência dos responsáveis.

Ele não agia sozinho. Em muitos casos, pedia para que uma vítima aliciasse outra, chamando amigas ou conhecidas. Essa tática criava um laço de confiança e facilitava a aproximação com novas meninas. O objetivo era sempre o mesmo: obter material de abuso e manter relações sexuais.

O celular do acusado foi crucial para a investigação. Nele, foram encontradas centenas de fotos e vídeos com diversas meninas, incluindo crianças muito pequenas. Muitas dessas imagens ainda não foram identificadas, o que amplia o alcance dos crimes.

O papel das famílias e o início da investigação

Um dos aspectos mais chocantes do caso é o envolvimento de familiares. Em uma situação, uma avó foi presa por vender as próprias netas para exploração. Uma das adolescentes hoje tem 18 anos, mas foi abusada desde os 13. A irmã mais nova, de 14 anos, também foi vítima.

Há relatos de vítimas que não são da mesma família, mostrando que a rede se espalhava. Uma adolescente de 14 anos disse que os abusos começaram quando ela tinha 11. Outra jovem, hoje com 16 anos, também foi identificada pela polícia.

A investigação começou de forma corajosa, com o depoimento direto de uma das vítimas. Ela procurou as autoridades e contou tudo, o que permitiu o desmonte do esquema. Não foi uma denúncia anônima, mas um ato de força para interromper os crimes.

A prisão em flagrante e os crimes investigados

A prisão aconteceu de forma dramática. O piloto estava no aeroporto de Congonhas, pronto para operar um voo com destino ao Rio de Janeiro. Ele foi detido minutos antes de embarcar, durante a operação batizada de "Apertem os Cintos".

A empresa aérea emitiu uma nota repudiando os crimes e afirmando que colabora com a investigação. O suspeito foi afastado de suas funções. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra outros quatro investigados.

Os crimes listados no inquérito são graves: estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e produção de pornografia infantil. A polícia também investiga acusações de perseguição e uso de documentos falsos. A operação busca identificar todos os envolvidos nesta rede.

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