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Pentágono quer ‘restaurar a supremacia militar’ sobre a América Latina

A administração de Donald Trump deixou algo bem claro: quer retomar o que chama de “supremacia militar” sobre a América Latina. A ideia é que a defesa dos Estados Unidos precisa incluir o controle de todo o hemisfério. Essa mensagem está na nova estratégia de defesa nacional, divulgada pelo Pentágono.

O documento, com cerca de trinta páginas, traça as linhas do poder militar americano. Nele, a ameaça representada pela China não será combatida com choques diretos. A palavra de ordem é “contenção”. Mas um ponto chama muita atenção: a garantia do controle sobre as Américas.

O texto é bastante direto. Afirma que os interesses da América serão defendidos de forma ativa e destemida em todo o hemisfério. O acesso militar e comercial a terrenos estratégicos é prioridade absoluta. Locais como o Canal do Panamá e a Groenlândia estão no centro desse planejamento.

O foco no narcoterrorismo

O governo também promete fornecer ao presidente opções militares confiáveis contra os chamados narcoterroristas. O objetivo é agir onde quer que eles estejam. O documento cita uma operação específica, a ABSOLUTE RESOLVE, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Ela serve como exemplo do que pode acontecer.

A estratégia fala em se envolver de boa fé com os vizinhos, do Canadá até a América do Sul. A condição, porém, é que todos respeitem e façam sua parte para defender os interesses comuns. Caso algum país não cumpra, os Estados Unidos se dizem prontos para tomar medidas focadas e decisivas.

Essa postura é chamada internamente de “Corolário Trump à Doutrina Monroe”. A referência é a uma política do século XIX que afirmava a influência dos Estados Unidos sobre as Américas. Agora, as forças armadas americanas afirmam estar prontas para aplicar esse conceito com rapidez e poder.

Ameaças à influência americana

A avaliação do Pentágono é clara: os interesses americanos estão ameaçados em todo o Hemisfério Ocidental. O texto lembra que, já no século XIX, seus antecessores reconheciam a necessidade de um papel de liderança dos Estados Unidos nos assuntos hemisféricos. Era uma questão de segurança econômica e nacional.

Essa percepção deu origem à famosa Doutrina Monroe e ao Corolário Roosevelt. No entanto, o documento alerta que a sabedoria dessa abordagem se perdeu com o tempo. A posição dominante foi tomada como garantida, mesmo quando começou a se dissipar diante de outros atores globais.

Como resultado, a influência de adversários cresceu em pontos chave. Da Groenlândia, no Ártico, ao Golfo da América e ao Canal do Panamá. Essa mudança não apenas ameaça o acesso dos Estados Unidos a terrenos estratégicos, como torna toda a região menos estável e segura.

Os três pilares da ação

A estratégia na região se baseia em três vertentes principais. A primeira é garantir a segurança das fronteiras dos Estados Unidos, considerada uma questão de segurança nacional. O Departamento de Guerra priorizará esforços para selar essas fronteiras e deportar imigrantes ilegais.

A segunda linha é o combate ao narcoterrorismo em todo o hemisfério. Isso significa desenvolver a capacidade de países parceiros para enfraquecer organizações criminosas. Mas, se os parceiros não puderem ou não quiserem cooperar, os Estados Unidos afirmam que estão preparados para agir decisivamente por conta própria.

A terceira vertente é garantir a segurança de terrenos estratégicos. Conforme a Estratégia de Segurança Nacional, os Estados Unidos não cederão mais acesso ou influência sobre esses territórios. O Pentágono fornecerá opções para assegurar o acesso militar e comercial do Ártico à América do Sul.

A conclusão do documento é explícita. Após anos de negligência, o Departamento de Guerra quer restaurar a supremacia militar americana no hemisfério. O poder será usado para proteger o território nacional e o acesso a áreas estratégicas. O objetivo final é impedir que adversários posicionem forças ameaçadoras na região.

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