O patrimônio do ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, Romeu Zema, deu um salto significativo nos últimos dois anos. Segundo a declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, sua fortuna cresceu impressionantes R$ 49,1 milhões desde sua reeleição em 2022. Hoje, ele soma R$ 178,8 milhões em aplicações financeiras, empresas e imóveis.
Esse aumento representa uma alta de 38% no período. Para termos uma comparação, a inflação oficial, medida pelo IPCA, acumulou 19% no mesmo intervalo. Ou seja, o crescimento do patrimônio do candidato foi o dobro da inflação. Os números chamam a atenção e levantam questionamentos sobre a origem desse crescimento.
A trajetória de Zema é marcada por um constante aumento de patrimônio. Desde 2018, quando concorreu ao governo mineiro pela primeira vez, sua fortuna mais que dobrou, subindo 150%. Naquela época, ele declarou R$ 69,7 milhões. Esse ritmo de crescimento supera em muito a inflação acumulada do período, que foi de 51%.
De onde vem a fortuna de Zema?
A maior parte do patrimônio declarado por Zema está concentrada em uma holding familiar. Sua participação nessa empresa, chamada Ricardo Zema Participações, vale hoje R$ 94 milhões. Esse é o grande motor por trás do aumento recente de sua riqueza. A holding controla os negócios do Grupo Zema, conglomerado fundado por seu pai.
Além da holding, outra fatia importante está em um fundo de investimentos, no valor de R$ 56,2 milhões. Zema também declarou R$ 4,3 milhões aplicados em produtos de renda fixa, como CDBs e títulos do Tesouro. Esses investimentos são considerados mais conservadores e fazem parte da gestão do capital já acumulado.
Vale notar que alguns bens, como um imóvel residencial, permaneceram com o mesmo valor declarado ao longo dos anos. Isso indica que a valorização não veio de todos os ativos, mas principalmente das participações societárias e aplicações financeiras. A assessoria do candidato foi procurada para comentar os números, mas não se manifestou.
O contexto dos bens na eleição
Zema não está sozinho na disputa presidencial com um patrimônio vultoso. Seu vice na chapa, o senador Eduardo Girão, declarou bens totais de R$ 34,1 milhões. Entre os itens, chama a atenção um "depósito bancário exterior" no valor de US$ 1,8 milhão, o equivalente a cerca de R$ 10 milhões. Esse tipo de declaração é comum entre políticos com negócios ou familiares no exterior.
Até o momento, a candidata que apresentou o menor patrimônio foi Samara, da Unidade Popular. Ela declarou R$ 33 mil, constituídos por um carro e uma caderneta de poupança. A diferença entre os números dos candidatos ilustra a diversidade de perfis que concorrem ao cargo. O prazo para todos os candidatos registrarem suas candidaturas e declarações de bens segue até o dia 15 de agosto.
A apresentação desses dados é um ritual importante da democracia. Ela permite que os eleitores tenham uma dimensão do patrimônio de quem pretende governar o país. Essas informações ficam disponíveis para consulta pública no site do Tribunal Superior Eleitoral. O objetivo é garantir transparência e prestação de contas aos cidadãos.
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