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Patrimônio de Jorginho Mello, governador de SC, salta 155% em 12 anos com holding familiar

O patrimônio do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, mais do que dobrou em pouco mais de uma década. Esse crescimento foi impulsionado principalmente por uma empresa familiar. A holding JSM Participações Societárias é hoje a principal fatia dos bens declarados pelo político.

Em 2014, o valor investido na empresa era de apenas oito mil reais. Hoje, essa participação está avaliada em quase 1,7 milhão de reais. O patrimônio total do governador saltou de cerca de 1,1 milhão para aproximadamente 2,8 milhões no mesmo período.

Os sócios da holding são os filhos de Jorginho, Filipe e Bruno Mello. Ambos ocupam posições de influência no cenário político catarinense. Filipe é advogado e chegou a ser cogitado para a secretaria da Casa Civil, mas a Justiça barrou a nomeação.

Bruno Mello, dentista de formação, é vice-presidente estadual do PL, partido do governador. Além da sociedade com o pai, os filhos mantêm negócios próprios. Bruno, por exemplo, é sócio de uma empresa que oferece cursos de odontologia em parceria com a Univali.

A Universidade do Vale do Itajaí é uma das instituições beneficiadas pelo programa Universidade Gratuita. O mecanismo transfere recursos públicos para faculdades particulares. A holding familiar, portanto, não é o único vínculo da família com setores que interagem com o estado.

O governador também declarou a posse de dois imóveis e um terreno. Os apartamentos ficam em Itapema, cidade com o metro quadrado mais caro do país. Eles foram declarados pelo valor de compra, de 380 mil reais para as duas unidades.

O mercado imobiliário da região, no entanto, vive um boom de valorização. Isso significa que o preço atual dos imóveis pode ser muito superior ao declarado. O terreno, por sua vez, é alvo de uma disputa histórica e está localizado no litoral sul do estado.

A área foi adquirida por Jorginho Mello em 1986, em um loteamento chamado Arpoador. As prometidas melhorias de infraestrutura nunca foram realizadas pela construtora. O problema se arrasta por décadas, mesmo após a emancipação do balneário.

Quase quarenta anos depois, moradores formaram uma associação para buscar reparações na Justiça. No patrimônio declarado, o terreno consta com o valor simbólico de 828 reais. Esse valor não mudou ao longo de todos os anos.

Atualmente, lotes na mesma localidade são oferecidos por imobiliárias por cerca de setenta mil reais. A região, praticamente inabitada, ganhou recentemente investimentos em infraestrutura do governo do estado.

As obras de pavimentação, no valor de quatro milhões de reais, foram anunciadas pelo ex-prefeito Evandro Scaini. A prefeitura local não confirmou se tinha conhecimento de que o governador é proprietário de um terreno na área beneficiada.

Na outra ponta, o candidato a vice-governador Adriano Silva declarou um patrimônio quase oito vezes maior. O ex-prefeito de Joinville listou bens que totalizam mais de 21 milhões de reais. O valor inclui imóveis, terrenos, cotas em empresas e até uma embarcação.

A declaração de Adriano Silva representa um aumento de 33,5% em relação ao pleito anterior. Enquanto isso, Jorginho Mello é, até o momento, o único candidato ao governo com a candidatura registrada no portal do TSE.

A eleição estadual terá a disputa de outros sete candidatos. A lista inclui nomes como Gelson Merísio, do PSB, e João Rodrigues, do PSD. O cenário mostra uma disputa que vai além da comparação patrimonial, envolvendo diferentes projetos para Santa Catarina.

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