Você sempre atualizado

os elos entre Vorcaro e o contador que pagou R$ 500 mil a Flávio Bolsonaro

Uma teia de negócios e relações pessoais conecta um pagamento de meio milhão de reais feito ao escritório do senador Flávio Bolsonaro a uma empresa sob os holofotes da Justiça. O elo central nessa história é a família Borlenghi, controladora da Ambipar, uma multinacional de gestão ambiental que hoje enfrenta recuperação judicial e investigações da Polícia Federal. Os Borlenghi aparecem como ponto de ligação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o contador Rogério Lourenço Novo, sócio da empresa que efetuou o pagamento ao político.

A Contábil Corrêa, de Rogério Novo, foi a empresa que pagou R$ 500 mil ao escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro por serviços de "assessoria jurídica". O contador, por sua vez, mantém uma longa relação com os Borlenghi. Essa conexão vem desde 2009, quando ele abriu uma transportadora em sociedade com Tércio Patini Borlenghi, filho do presidente da Ambipar. Mais recentemente, em abril deste ano, Rogério Novo assumiu um cargo no conselho fiscal da própria Ambipar.

A rede se estende para outras empresas investigadas. O presidente da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, já foi acusado pela Comissão de Valores Mobiliários de atuar em conluio com Daniel Vorcaro. Uma investigação anterior da CVM apontou uma "relação comercial estreita" entre Borlenghi Júnior, a gestora Trustee DTVM, o empresário Nelson Tanure e o banco de Vorcaro. É nesse emaranhado que a Contábil Corrêa e a empresa Copenhagen se encontram.

O caminho do dinheiro e as notas fiscais canceladas

A Copenhagen e Assessoria e Consultoria é peça-chave nesse quebra-cabeça. Conforme revelado, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu notas fiscais que totalizavam R$ 1,5 milhão para duas empresas: a Copenhagen e a Contábil Corrêa. No caso da Copenhagen, duas notas no valor de R$ 1 milhão foram emitidas e canceladas no mesmo dia. O senador justificou que optou por não prestar os serviços àquela empresa.

Já para a Contábil Corrêa, a nota fiscal de R$ 500 mil foi emitida e, segundo o político, corresponde a um trabalho jurídico real prestado. Em suas palavras, foi uma "relação completamente legal e privada". O pagamento da Contábil Corrêa ao escritório do senador ocorreu em abril de 2025. Curiosamente, naquele mesmo mês, uma empresa ligada a Daniel Vorcaro realizou duas transferências milionárias em dólares para bancar um filme a pedido de Flávio Bolsonaro.

A trajetória da Copenhagen é atípica. Aberta no final de 2024 com um capital social simbólico de R$ 40, a empresa recebeu, em menos de um mês, um aporte milionário do Banco Master. Foram R$ 11,2 milhões inicialmente, seguidos de mais R$ 46,6 milhões em 2025. A empresa também passou por rápidas mudanças de endereço e diretoria.

Mudanças de comando e investigações em curso

A direção da Copenhagen foi inicialmente assumida por dois executivos da Trustee DTVM, Artur Martins de Figueiredo e Luis Fernando de Almeida. Essa gestora de fundos, que prestava serviços ao Banco Master, também foi alvo da Operação Compliance Zero. Ambos os diretores mantinham participação em outras empresas da rede de Vorcaro sob investigação.

A Trustee DTVM é administradora do fundo Estonia Multiestratégia, acionista da Copenhagen. Segundo apurações, esse fundo pertenceria ao presidente da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior. A gestora se defendeu afirmando que não tinha ingerência sobre os negócios da Copenhagen nem sobre eventuais pagamentos ao Banco Master.

Em julho de 2025, houve uma nova troca no comando da Copenhagen. Artur Figueiredo e Luis Fernando Almeida deixaram a diretoria. Quem assumiu o lugar foi justamente Rogério Lourenço Novo, o sócio da Contábil Corrêa. Pouco depois, Novo também assumiu a direção da MN Participações S/A, empresa criada com o mesmo padrão da Copenhagen: capital social mínimo e abertura feita pelo mesmo advogado.

Rogério Novo já foi alvo de investigação policial no passado. Em 2020, a Polícia Federal o acusou de usar notas fiscais falsas. O caso foi arquivado pela Justiça Federal de Sorocaba em 2021, após o pagamento dos débitos. Enquanto isso, as investigações sobre o Banco Master e suas conexões seguem em andamento, com a Ambipar e seus dirigentes no centro das atenções das autoridades.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.