Uma operação policial de grande porte investiga uma organização criminosa acusada de lavar dinheiro. O esquema, segundo as autoridades, movimentou cerca de R$ 100 milhões obtidos com golpes aplicados em todo o país. Para isso, os investigados teriam usado intensivamente plataformas de apostas online e serviços de fintechs.
O alvo mais recente é o cantor de funk MC Negão Original, cujo nome verdadeiro é João Vitor Ribeiro. Nesta terça-feira, a polícia cumpriu um mandado de busca em uma casa ligada a ele, na cidade de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. O artista também é alvo de um mandado de prisão no âmbito desta investigação, batizada de “Fim da Fábula”.
A operação é coordenada pelo Departamento de Investigações Criminais de São Paulo, o Deic, em conjunto com o Ministério Público do estado. As ações ocorrem simultaneamente em três unidades federativas: São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Ao todo, cerca de 400 policiais e promotores estão envolvidos nos desdobramentos.
O Esquema Investigado
A organização criminosa em questão teria uma estrutura complexa e bem dividida. Eles são suspeitos de aplicar uma série de golpes digitais conhecidos do grande público. Entre eles estão o “golpe do INSS”, o “golpe do falso advogado” e o chamado “golpe da mão fantasma”.
O dinheiro proveniente desses crimes era, então, lavado por meio de uma rede intrincada. As investigações apontam para o uso de cartões clonados, falsas centrais telefônicas e, principalmente, a exploração de casas de apostas online e aplicativos financeiros. Essas ferramentas serviam para movimentar os valores e até para clonar chaves Pix, dificultando o rastreamento.
Para esconder o patrimônio, o grupo usava “laranjas” e empresas de fachada. Até o momento, o Ministério Público identificou pelo menos 36 imóveis, centenas de veículos e embarcações ligadas aos investigados. A Justiça já determinou o bloqueio desses bens e a restrição de 86 contas bancárias.
A Resposta da Defesa
A defesa do cantor MC Negão Original se manifestou por meio de uma nota pública. Os advogados afirmam que ainda não tiveram acesso completo aos detalhes da investigação. Por isso, consideram prematuro qualquer análise técnica mais profunda sobre as acusações.
Eles sustentam que todas as transações financeiras do artista têm origem lícita e estão documentadas. A nota destaca que a inocência de João Vitor será comprovada assim que a defesa puder examinar todos os elementos do processo. A estratégia será exercer plenamente o direito à ampla defesa e ao contraditório.
A defesa também declarou confiança no devido processo legal. Qualquer posicionamento ou esclarecimento adicional, segundo eles, será feito diretamente nos autos do processo. O foro judicial é apontado como o local adequado para uma análise técnica e imparcial de todos os fatos.
Os Próximos Passos
A operação “Fim da Fábula” ainda está em andamento, com diligências ocorrendo em várias cidades. Em São Paulo, além da capital e de Itaquaquecetuba, há ações em municípios como Guarulhos, Santo André, São José do Rio Preto e no litoral, em Praia Grande e São Vicente.
Em Minas Gerais, as buscas acontecem em Belo Horizonte, Nova Lima e na cidade de Capitólio. Brasília, no Distrito Federal, também é um dos cenários da operação policial. O objetivo é desarticular completamente a estrutura financeira e operacional do grupo.
A decisão judicial que autorizou as prisões, buscas e bloqueios partiu da 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários e Lavagem de Dinheiro da capital paulista. O valor total dos bloqueios pode chegar a R$ 100 milhões, limitado pelo saldo de cada uma das contas bancárias restringidas. As investigações continuam para apurar a extensão total do esquema.
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