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o racha na liderança evangélica

A recente troca de farpas entre figuras públicas evangélicas deixou muita gente de olho. O que começou com uma crítica geral sobre supostas irregularidades em grandes igrejas, rapidamente virou uma discussão acalorada e pessoal. Esse tipo de desentendimento público não é comum no meio, mas parece estar se tornando mais frequente.

Os bastidores políticos evangélicos estão agitados, especialmente com as eleições municipais se aproximando. As discordâncias vão desde o apoio a candidaturas até a formação de alianças mais amplas. É um momento de definições, e nem todos os líderes estão na mesma página, algo que chama a atenção de quem acompanha a política nacional.

O que vemos é um grupo historicamente coeso mostrando algumas rachaduras à vista de todos. Esses atritos públicos podem refletir divergências mais profundas sobre estratégia e futuro. A pergunta que fica é como essas diferenças serão administradas nos próximos meses decisivos.

Uma cúpula menos alinhada para 2026

A candidatura de Flávio Bolsonaro às eleições municipais do Rio de Janeiro é um bom exemplo dessa falta de consenso. Enquanto em ciclos nacionais passados o apoio majoritário dos grandes líderes evangélicos a Jair Bolsonaro foi quase unânime, agora a situação é diferente. Alguns nomes de peso não demonstraram o mesmo entusiasmo pelo filho do ex-presidente.

Silas Malafaia, por exemplo, já se posicionou de forma crítica, questionando a força eleitoral de Flávio. Em contrapartida, a senadora Damares Alves declarou apoio ao candidato e prometeu mobilizar sua base. Outros preferem apostar em nomes como o governador Tarcísio de Freitas para uma chapa nacional futura.

Essa divisão gera um cenário de incerteza. Pastores com trânsito político admitem que, se a família Bolsonaro insistir no nome de Flávio para a disputa nacional de 2026, outras peças do tabuleiro podem se mover. A reeleição de Tarcísio em São Paulo se tornaria uma opção mais viável, por exemplo. A unidade da direita, portanto, ainda está sendo costurada.

A polêmica nomeação para o Supremo Tribunal Federal

Outro tema que dividiu opiniões foi a indicação do advogador-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. O fato de Messias ser evangélico não foi suficiente para criar uma frente comum de apoio. Pelo contrário, acirrou os ânimos dentro do grupo.

O senador Magno Malta foi um dos que se posicionaram de forma veemente contra a nomeação. Ele argumentou publicamente que a identidade religiosa não deve servir como um salvo-conduto ético ou político. Para ele, é preciso discernir entre convicção genuína e mera conveniência partidária.

De outro lado, líderes como o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, saíram em defesa do indicado. Ferreira chegou a publicar uma foto ao lado de Lula e Messias, demonstrando apoio aberto. Essa clara divisão mostra que os interesses e leituras políticas dentro do evangelicalismo são diversos e complexos.

O estopim de um desentendimento público

A briga recente entre Damares, Malafaia e o pastor André Valadão começou com uma declaração da senadora. Ela mencionou, sem citar nomes, que grandes igrejas estavam envolvidas nas falcatruas investigadas pela CPMI do INSS. Malafaia a criticou por ser vaga e, ao nomear publicamente os suspeitos, Damares incluiu Valadão na lista.

A reação do pastor da Igreja Batista da Lagoinha foi imediata e contundente. Ele rebateu as acusações em um vídeo emocionado, classificando as declarações como fofoca. O episódio, que arrastou para o debate o caso do Banco Master e do ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, pegou mal para a imagem de coesão do grupo.

Nos bastidores, há duas visões sobre o ocorrido. Alguns enxergam as denúncias como um movimento necessário de saneamento, afastando maus nomes da comunidade. Outros temem que o fogo amigo cause uma divisão profunda, enfraquecendo a influência política coletiva. O fato é que o atrito entre Damares e Malafaia é antigo, remontando a disputas por cargos ainda em 2018.

A exposição dessas rusgas indica um momento de redefinição de alianças e poder. Enquanto alguns acreditam que, na hora decisiva, a união prevalecerá, as discussões atuais mostram um caminho cheio de debates internos. A capacidade de gerenciar essas diferenças será crucial para o futuro político desse segmento.

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