Você já parou para pensar por que a corrupção parece nunca ter fim no Brasil? O caso do Banco Master joga luz sobre um mecanismo muito mais profundo e enraizado do que escândalos isolados. A conversa usual coloca a culpa no Estado e nos políticos, como se fossem os únicos vilões. Mas será que essa história conta o lado completo?
Muita gente acredita que o problema do país é o chamado patrimonialismo. Essa ideia diz que servidores públicos formam uma casta que vive às custas da sociedade. É uma narrativa poderosa, pois simplifica tudo: a pobreza em uma nação rica seria culpa do Estado. Com isso, a única instituição capaz de frear abusos do mercado fica desmoralizada. A participação política das pessoas também se enfraquece, vista como algo sujo.
No entanto, essa visão inverte causa e efeito. A elite econômica, para manter seu domínio e enriquecimento, precisa controlar o Estado. E não se trata apenas de desviar dinheiro do orçamento. O controle vai muito além. Envolve o sistema de Justiça, as leis que são criadas, a política econômica definida pelo banco central e até o uso legítimo da força. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui.
Como o Estado vira instrumento de poder
A sanha por riqueza no Brasil sempre exigiu o comando sobre esses mecanismos estatais. O verdadeiro negócio das nossas elites históricas é o monopólio do Estado. Desde o século XIX, famílias poderosas adotavam uma estratégia clara. Enquanto um filho cuidava dos negócios da família, outros seguiam carreiras como políticos ou juízes. Isso criava uma blindagem quase perfeita.
Os negócios, especialmente os mais obscuros, podiam progredir com essa proteção política e jurídica. Com o tempo e a industrialização, o esquema se modernizou. A dominação deixou de ser apenas familiar para se tornar impessoal. Eles não precisam mais ter um parente em cada cargo, mas sim garantir que o sistema funcione a seu favor. Para isso, um novo elemento se tornou fundamental em qualquer dominação moderna: o apoio da imprensa.
O caso que espelha o esquema secular
O Banco Master ilustra com clareza esse jogo funcionando à plena luz do dia. O esquema costuma ter três etapas interligadas. Primeiro, vem o relacionamento com políticos, deputados e governadores. O objetivo é facilitar a privatização de riquezas públicas ou a criação de leis benéficas. Depois, é necessária a influência sobre juízes e tribunais. Não precisa haver um contrato formal. Basta um benefício futuro, como uma generosa conta em um paraíso fiscal.
O terceiro pilar é a cobertura da mídia. É crucial comprar ou influenciar espaços na imprensa para garantir narrativas favoráveis e silenciar críticas. Nesse cenário, juízes, políticos e jornalistas não são os grandes protagonistas do enriquecimento. Eles funcionam como intermediários, os "aviõezinhos" de um tráfico muito maior. Ficam com uma propina, que é sempre uma fração pequena do patrimônio ilegal construído.
A cortina de fumaça que perpetua o ciclo
Ao focar apenas na corrupção política, a narrativa pública torna invisível o saque realizado pelos donos do mercado. Essa inversão é o trabalho mais eficaz do esquema. A população passa a enxergar apenas o suborno do político, não o gigantesco rombo que ele ajudou a autorizar. O mercado, quando rouba, sequer é percebido como roubo. A corrupção política vira o bode expiatório perfeito.
Essa invisibilidade é o principal dispositivo de poder. Se o mecanismo real não é visto, não pode ser criticado ou barrado. A prática social de exploração continua indefinidamente, sem obstáculos. Tudo o que a elite precisa é de um sistema que produza juízes, políticos e jornalistas compráveis. O Banco Master não é uma exceção à regra. Ele é a regra sendo exposta. Ele reflete as entranhas de um poder secular que mantém poucos na riqueza e a maioria na luta diária. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no site.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.