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O cinema e arte como armas contra o autoritarismo

Você já parou para pensar no poder de um filme? Aquele que nos faz rir, chorar ou questionar tudo ao nosso redor. O cinema, assim como toda arte, é muito mais que entretenimento. Ele é um espelho da sociedade e, muitas vezes, um martelo para moldá-la.

Recentemente, um diretor brasileiro recebeu um importante prêmio internacional e fez um pedido simples, porém profundo: “façam filmes”. Esse apelo vai além da criação artística. Em um mundo onde discursos são controlados, a arte se torna um ato de coragem. Ela preserva a memória e busca a verdade, pilares essenciais para qualquer democracia.

A arte funciona como um antídoto contra os abusos de poder. Por isso mesmo, artistas ao redor do globo frequentemente se tornam alvos. Eles são censurados, perseguidos e até presos por seu trabalho. Suas obras, que mostram a vida e o amor sob diferentes perspectivas, desafiam narrativas oficiais. Esse confronto revela o verdadeiro poder da criação.

Em diversos países, a situação para cineastas e músicos é especialmente difícil. Relatórios internacionais mostram que essas são as formas de arte mais visadas por autoridades. Os casos vão desde a prisão de artistas até o cancelamento puro e simples de festivais. Plataformas de streaming são pressionadas a remover obras consideradas inconvenientes.

No Irã, uma vibrante indústria cinematográfica independente resiste, mesmo sob enorme pressão. Seus filmes até conquistam prêmios no exterior, mas os criadores pagam um preço alto. Alguns enfrentam longas penas de prisão por acusações vagas, como fazer “propaganda contra o Estado”. Muitos são forçados a deixar seu próprio país para continuar trabalhando.

Na China, a incerteza é uma regra para quem produz cultura. Ninguém sabe ao certo se um filme finalizado será liberado ou sofrerá cortes. Na Rússia, adaptações de clássicos da literatura já foram censuradas. No Egito, produções foram banidas por alegadamente ofenderem religiões ou por representarem relacionamentos LGBTQIA+. O controle sobre a narrativa é total.

Esse movimento de restrição não acontece apenas em regimes tradicionalmente autoritários. Há uma tendência global de tentar moldar a cultura conforme uma visão de mundo específica. Nos Estados Unidos, por exemplo, a nomeação de figuras polêmicas como “embaixadores” para Hollywood gerou alerta. A medida foi vista como uma intromissão política no setor cultural.

As escolhas simbolizavam uma visão muito particular do cinema: conservadora, masculina e branca. Paralelamente, milhares de livros foram retirados de bibliotecas escolares e públicas no país em apenas um ano. A justificativa varia, mas o efeito é o mesmo: limitar o acesso a ideias e histórias diversas.

Por que tanto medo de um romance, uma canção ou um filme? A resposta é simples. A arte tem uma capacidade única de subverter a ordem estabelecida. Ela imagina mundos diferentes e inspira pessoas a desejarem mudança. Uma pintura, um verso ou uma cena de cinema podem plantar a semente de um pensamento livre. Nenhuma arma consegue destruir um sonho que já foi compartilhado.

O pedido do cineasta brasileiro, portanto, era um chamado à resistência. Em tempos de discursos únicos, criar é um ato revolucionário. Cada história contada é um lembrete da complexidade humana. Cada obra preservada é uma prova de que outras verdades existem. A arte não oferece respostas fáceis, mas ela fortalece a pergunta.

Ela nos une em torno da nossa humanidade compartilhada, com todas as suas contradições. Num mundo de certezas absolutas, a arte cultiva a dúvida e a empatia. Ela não serve para agradar a todos, mas para refletir a todos. No fim, fazer filmes — ou qualquer arte — é afirmar que o futuro ainda está em aberto. É acreditar que novas narrativas sempre podem ser escritas.

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