O Carnaval acabou, e o clima político no Ceará começa a esquentar. O governador Elmano de Freitas, conhecido por um estilo mais contido, deu início a uma nova fase em seus discursos públicos. O tom agora é mais direto e focado na defesa da gestão, um movimento que observadores ligam ao início do ano eleitoral.
Durante um evento de entrega de equipamentos, o governador fez questão de destacar os números do Carnaval. Segundo ele, a festa deste ano foi a mais tranquila da história recente do estado. A sensação de segurança, para ele, foi o grande legado do período.
Ele citou a redução em indicadores como homicídios e roubos de celulares. A fala não foi apenas um balanço operacional, mas um marco simbólico. Parece ser o ponto de partida para uma comunicação mais assertiva daqui para frente.
O tom mudou no discurso público
O Elmano que se vê agora parece diferente do perfil paciente que ele mesmo sempre cultivou. Ele costumava dizer que herdou do pai a capacidade de esperar o momento certo. A paciência, ao que tudo indica, pode ter dado lugar a uma postura mais reativa.
O palco para essa mudança foi a solenidade de entrega de armas para a Guarda Municipal de Fortaleza. O evento reuniu vereadores, deputados e lideranças comunitárias, criando um cenário propício para um discurso de impacto. Foi um registro político cuidadosamente orquestrado.
A mensagem central foi clara: ele prioriza as ações em detrimento das palavras. “Na política, vale mais o gesto, o que se faz”, afirmou. Essa frase resume bem o novo espírito da sua comunicação, que busca contrapor narrativas adversárias com feitos concretos.
O ataque direto à oposição
Parte significativa do discurso foi dedicada a rebater críticas e atacar a oposição de forma nominal. O governador usou expressões contundentes, acusando seus adversários de só saberem falar mal. Para ele, faltaria ao outro lado apresentar um legado positivo de gestão.
Como exemplo, ele citou a situação da Prefeitura de Fortaleza antes da atual gestão. Elmano afirmou que o prefeito José Sarto assumiu com uma dívida superior a um bilhão de reais com fornecedores. A descrição pintou um cenário de desassistência na área da saúde.
Ele mencionou a falta de comida para pacientes em um instituto e a situação crítica de hospitais como a Santa Casa. O Hospital Nossa Senhora da Conceição, segundo seu relato, estava completamente destruído. Esses pontos serviram de base para seu contra-ataque.
O contraste com a gestão atual
O governador então apresentou o que considera a virada proporcionada pela atual administração municipal. A reconstrução do Hospital da Conceição foi citada como um símbolo dessa transformação. O foco, na narrativa dele, saiu do caos e entrou na fase de reconstrução.
Ajustar as contas públicas foi outro ponto crucial destacado. Ele explicou que a prefeitura saiu de uma situação financeira delicada, sem crédito, para uma posição mais respeitada no mercado. Esse movimento, chamado de sair da posição “C” para a “B”, traria novos recursos.
A capacidade de obter empréstimos e o respeito no meio financeiro seriam, portanto, conquistas recentes. O discurso constrói uma linha do tempo clara: um passado de problemas herdados e um presente de trabalho árduo para corrigi-los. O tom é de quem está pronto para disputar cada ponto da narrativa pública.
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