Uma operação de grande porte atingiu nesta terça-feira o núcleo de segurança de um conhecido bicheiro do Rio de Janeiro. Foram cumpridos vinte mandados de prisão preventiva, mirando Rogério de Andrade e seus principais guarda-costas na região de Bangu. A ação revela a profundidade das conexões entre o crime organizado e agentes públicos.
Rogério já está preso desde o ano passado em uma penitenciária de segurança máxima em Mato Grosso do Sul. A nova investida, portanto, busca desmantelar a rede que ainda operava em seu nome. O foco são os homens que garantiam a segurança dos investigadores recaiu sobre um grupo formado majoritariamente por policiais.
Dezoito policiais militares e penais, além de um policial civil, são acusados de integrar esse esquema. A informação mais grave é que alguns continuaram no serviço público enquanto atuavam para a organização. Eles são suspeitos de usar a autoridade da farda para proteger pontos ilegais de jogo.
A estrutura de proteção ao jogo do bicho
Segundo as investigações, a função desse núcleo era garantir a segurança de pontos de exploração do jogo do bicho em Bangu. Eles supostamente atuavam para afastar a fiscalização e a concorrência, criando uma zona livre para o crime. A corrupção sistemática era o método para assegurar essa operação.
Os crimes listados na ação são graves: organização criminosa armada, agravada pelo uso de funcionários públicos. Há também acusações de corrupção ativa e passiva. Os mandados foram cumpridos em várias cidades da Baixada Fluminense e na capital, com apoio de várias corregedorias policiais.
Os policiais militares investigados estavam lotados em diversas unidades, incluindo batalhões de área e o policiamento de vias expressas. Isso indica uma infiltração ampla na corporação. A operação tenta cortar pela raiz a proteção paga que sustentava os negócios ilegais.
Quem é Rogério de Andrade
Rogério de Andrade não é um nome qualquer no submundo do Rio. Ele é sobrinho de Castor de Andrade, uma lenda do jogo do bicho e antigo patrono de uma grande escola de samba. Com a morte de Castor em 1997, iniciou-se uma complexa e violenta disputa familiar pelo controle do império.
Essa briga interna teve capítulos trágicos. Paulo de Andrade, filho de Castor, foi assassinado em 1998. O crime foi atribuído a Rogério. Anos depois, outro parente próximo, Fernando Iggnácio, que era casado com uma filha de Castor, também foi morto a tiros.
A prisão de Rogério em outubro de 2024 está diretamente ligada a esse último caso. Ele é apontado como mandante do assassinato de Fernando Iggnácio, executado em 2020 no Recreio dos Bandeirantes. A vítima foi alvejada com tiros de fuzil ao descer de um helicóptero, em um crime que chocou pela ousadia.
Um crime que expôs métodos violentos
O assassinato de Iggnácio foi cinematográfico e brutal. Ele retornava de sua casa em Angra dos Reis e foi atingido no estacionamento de um heliporto. O atirador, de tocaia em um terreno baldio, efetuou três disparos. Um deles atingiu a cabeça, causando morte instantânea.
A execução demonstrou o nível de ousadia e os recursos da organização. O crime foi planejado para interceptar a vítima em um momento muito específico de sua rotina. Esse episódio, investigado a fundo, foi peça-chave para desvendar a estrutura de comando e segurança do grupo.
Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira. A operação desta terça mostra que, mesmo com o líder preso em uma penitenciária de segurança máxima em Mato Grosso do Sul, as investigações seguem para desmontar toda a rede. O foco agora é a ponta armada que mantinha as operações funcionando.
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