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MP-SC denuncia dois prefeitos bolsonaristas e empresário confessa pagamento de propina

A política catarinense vive mais um capítulo tenso com desdobramentos sérios. Dois prefeitos e outros cinco agentes públicos e empresários foram denunciados pelo Ministério Público Estadual. Eles são acusados de integrar uma organização criminosa que atuava em Garopaba. O esquema, segundo as investigações, envolvia corrupção e fraudes em licitações.

A operação policial que desmontou o caso chama-se Coleta Seletiva. O nome não é por acaso. O foco central das investigações são contratos milionários para a coleta de lixo no município. As acusações são graves e detalhadas, com alegações de propina mensal e uso de códigos secretos.

Os valores envolvidos chegam a R$ 1,4 milhão em pagamentos ilegais. As investigações apontam que o esquema funcionava de forma estável, com divisão de valores após os pagamentos oficiais da prefeitura. Tudo isso veio à tona após longa apuração, que reuniu provas consideradas sólidas pelo MP.

O mecanismo do esquema de corrupção

A denúncia descreve um sistema aparentemente organizado. O empresário Joaquim da Silva Pacheco, dono da empresa de coleta Resamb, confessou pagar propinas. Os valores eram distribuídos mensalmente a agentes públicos, incluindo os prefeitos. A troca de mensagens era parte crucial para acertar os detalhes.

Para disfarçar, os envolvidos usavam um linguajar peculiar. Palavras como “livros”, “material” ou “ritual” serviam como código para o dinheiro vivo da propina. A sigla “GOSC”, que significa Grande Oriente de Santa Catarina, era usada para se referir aos pagamentos oficiais legítimos do contrato.

O mais surpreendente é que o esquema continuou mesmo depois que as investigações começaram. Os investigados tinham conhecimento da apuração, mas não interromperam as transações. A perícia conseguiu rastrear 114 ocorrências específicas com indícios de crime, a partir de 2021.

Os principais acusados e seus papéis

No centro das acusações está o prefeito de Garopaba, Júnior Bento. Ele é apontado como líder da organização criminosa. Esta é a segunda vez, em menos de um ano, que ele se torna réu em um processo por corrupção. Em 2025, ele já respondia por fraudes em contratos da saúde e educação.

O atual prefeito de Pescaria Brava, Luiz Henrique Castro, também foi denunciado. Ele atuou como secretário em Garopaba durante o período investigado. A acusação alega que ele era responsável por recolher parte do dinheiro até 2022. Depois, essa função teria passado para outro secretário.

Além dos dois prefeitos, o empresário Joaquim Pacheco e o pregoeiro Silas Gonçalves estão presos preventivamente. Outros três nomes completam a lista de denunciados. Eles são acusados de integrar a mesma organização, cada um com uma função específica no esquema.

A reação dos acusados e os próximos passos

A defesa do prefeito Júnior Bento nega veementemente as acusações. Em nota, afirmou que não há qualquer prova de interação dele com o empresário investigado. A alegação é de que ele está sendo responsabilizado por atos de terceiros, sem evidências diretas de recebimento de vantagem.

O prefeito de Pescaria Brava também se manifestou. Ele argumenta que a investigação se refere apenas a fatos de Garopaba. Afirma não haver relação entre o caso e contratos ou procedimentos de sua atual prefeitura. Ele confia que sua inocência será comprovada durante o andamento do processo.

A empresa Resamb, citada no centro do esquema, preferiu não se pronunciar. Com a denúncia aceita pelo Tribunal de Justiça, o caso avança para a fase judicial. Os acusados terão a chance de apresentar sua defesa. A população aguarda os desdobramentos de mais este caso que abala a confiança na administração pública.

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