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MP reabre investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha

A investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeitas de rachadinha voltou à tona. O caso, que parecia ter sido encerrado no ano passado, foi reaberto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A decisão partiu da Procuradoria-Geral de Justiça, que identificou falhas na apuração anterior.

A PGJ entendeu que algumas diligências essenciais ficaram de fora da primeira investigação. Por isso, determinou que novos pontos precisam ser esclarecidos. O objetivo é formar uma visão mais completa dos fatos antes de qualquer decisão definitiva.

A nova fase do inquérito vai se concentrar em transações financeiras específicas. A compra de um apartamento e os acessos a um cofre bancário estão entre as questões centrais. Vinte e seis pessoas, incluindo antigos assessores, seguem no escopo das investigações.

Os motivos para reabrir o caso

Um juiz da primeira instância foi quem primeiro contestou o arquivamento do inquérito. Ele leu o processo e apontou omissões e contradições no material. Por considerar que havia lacunas, devolveu os autos para uma nova análise pela cúpula do MP.

A Procuradoria-Geral, então, revisou todo o conteúdo. Seu departamento criminal concluiu que era preciso avançar. O parecer técnico afirma que apenas a continuação das investigações poderia elucidar adequadamente os fatos.

O promotor que havia pedido o arquivamento, em 2024, argumentou falta de provas. Ele disse que os dados não mostravam dinheiro público indo para as contas do ex-vereador. A nova decisão, porém, sugere que esse raciocínio pode ter sido prematuro.

Os pontos que serão investigados

Um dos focos é a compra de um apartamento em Copacabana, em 2009. O imóvel foi declarado por um valor considerado muito abaixo do preço de mercado na época. A investigação vai tentar entender como foi realizada essa transação.

Outro ponto de atenção são os acessos frequentes a um cofre bancário. Relatórios indicam que Carlos Bolsonaro ia ao local pelo menos uma vez por mês. Cofres são comumente usados para guardar joias, documentos ou grandes quantias em dinheiro.

A forma de pagamento do plano de saúde do ex-vereador também será apurada. Em nove anos de contrato, apenas uma fatura teria sido paga diretamente de sua conta. A procuradoria quer saber quem custeava as demais parcelas.

O contexto e os envolvidos

A suposta organização teria atuado por muitos anos no gabinete do então vereador. A denúncia original fala em quase dois milhões de reais desviados. Esse valor teria sido devolvido por funcionários nomeados, no esquema conhecido como rachadinha.

Entre os investigados está Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro. Ela foi chefe de gabinete de Carlos por sete anos. Há registros de depósitos em espécie que totalizam centenas de milhares de reais em sua conta.

Jorge Luiz Fernandes, outro ex-chefe de gabinete, já havia sido denunciado por peculato. Ele é apontado como operador do esquema. Até o momento, a defesa dos principais investigados não se manifestou sobre a reabertura do caso.

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