Um motorista que trabalhou para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, visitou a Câmara dos Deputados pelo menos quatro vezes em fevereiro de 2024. Os registros da portaria, obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostram que ele esteve nos gabinetes de quatro parlamentares. Os nomes envolvidos são Geraldo Mendes, Benes Leocádio, Pedro Westphalen e Sanderson.
As visitas ocorreram nos dias 7, 8, 15 e 20 daquele mês. O primeiro registro foi para o gabinete de Geraldo Mendes, seguido por Benes Leocádio no dia seguinte. As duas últimas entradas, quase no mesmo horário, foram para os deputados Pedro Westphalen e Sanderson. O homem foi identificado como Sidney Santos, conhecido pelo apelido de “Kiko”.
Quando procurados pela reportagem, todos os parlamentares negaram conhecer Sidney. Em nota, o deputado Sanderson foi enfático ao dizer que nunca recebeu ou conversou com o indivíduo. O próprio motorista, questionado em junho sobre os encontros, deu uma resposta evasiva e demonstrou querer distância do assunto.
A conexão com o caso Master
O nome do motorista Sidney Santos surgiu publicamente em maio, durante buscas relacionadas ao senador Ciro Nogueira. O mandado foi autorizado pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso que investiga o Banco Master. Na decisão, Mendonça citou indiretamente a atuação do motorista em um episódio específico.
Em novembro de 2023, Daniel Vorcaro teria enviado Sidney à casa do senador para buscar minutas de um projeto de lei. Os rascunhos foram revisados em um escritório indicado pelo ex-banqueiro e depois devolvidos a Ciro Nogueira pelo mesmo condutor. Sidney, no entanto, não é investigado formalmente em nenhum dos processos.
Os investigadores destacaram um detalhe curioso nas orientações de Vorcaro. Ele teria instruído a pessoa que fez a devolução para que o motorista não conseguisse vincular o documento ao parlamentar. O envelope usado também não deveria fazer referência ao Banco Master, segundo trecho da decisão ministerial.
O conteúdo dos documentos
As minutas transportadas pelo motorista tratavam de dois projetos de lei. Eram textos voltados para a regulamentação do mercado de créditos de carbono, um tema financeiro e ambiental complexo. Essa pauta é de interesse direto de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O episódio chamou a atenção das autoridades por sugerir uma operação que iria além dos trâmites comuns. A movimentação de rascunhos de lei de forma tão discreta, entre um senador e um banqueiro, levantou questionamentos. A investigação busca entender a natureza exata da relação entre as partes.
O caso segue sob análise no Supremo Tribunal Federal, que apura possíveis irregularidades. A aparição do motorista na Câmara, meses depois da entrega dos documentos, acrescenta uma nova camada ao quebra-cabeça. As visitas a vários gabinetes em um curto espaço de tempo continuam sem uma explicação oficial clara.
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