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Morre Lindomar Castilho, Rei do Bolero condenado por feminicídio

O Brasil perdeu uma das vozes mais marcantes da música romântica das últimas décadas. Lindomar Castilho, conhecido como o Rei do Bolero, faleceu neste sábado, aos 85 anos. A notícia foi confirmada pela sua filha, a coreógrafa Lili de Grammont, através de um post emocionado nas redes sociais. Ela não detalhou a causa ou o local da morte, encerrando um capítulo repleto de fama e tragédia.

A trajetória do cantor é uma daquelas histórias que misturam luz e sombra de maneira intensa. De um lado, havia o artista de sucesso, com vendagens expressivas e músicas que se tornaram parte da memória afetiva de muitos. Do outro, um crime hediondo que manchou para sempre sua biografia e interrompeu vidas de forma brutal. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no Pronatec.

Sua vida pública praticamente acabou depois que ele deixou a prisão, nos anos 90, vivendo longe dos holofotes. Apesar do ostracismo, ele ainda tentou um retorno com um disco ao vivo nos anos 2000. Mas sua imagem já estava indelével e tragicamente associada ao feminicídio de sua ex-mulher, a cantora Eliane de Grammont.

Da glória musical ao crime

Nascido Lindomar Cabral, em Rio Verde, Goiás, ele começou a carreira no início dos anos 60. Seu primeiro LP, “Canções que não se Esquecem”, já anunciava o talento para interpretações sentimentais. Com uma voz aveludada e cheia de emoção, ele conquistou o público cantando boleros e sambas-canções.

O ápice comercial veio na década de 70, quando se tornou um dos artistas mais vendidos do país. Seus discos cruzaram fronteiras, chegando a ser lançados nos Estados Unidos. A música “Você é doida demais”, seu maior sucesso, ganhou ainda mais notoriedade ao virar tema de abertura da série “Os Normais”, da TV Globo.

Foi no auge dessa fama que ele conheceu Eliane de Grammont, então uma jovem cantora promissora. Eles se casaram em 1979 e tiveram uma filha, Liliane. O casamento, porém, foi turbulento e curto, marcado pelo ciúme doentio e pelo alcoolismo de Castilho. A separação, em 1980, foi o estopim para uma tragédia anunciada.

O feminicídio que chocou o país

Castilho não aceitou o fim do casamento e a nova vida de Eliane. No dia 30 de março de 1981, sua obsessão culminou em um ato de violência extrema. Enquanto Eliane se apresentava no Café Belle Epoque, em São Paulo, ao lado do novo namorado, Castilho invadiu o palco.

Ele efetuou cinco tiros nas costas da ex-mulher, à queima-roupa. Um dos disparos também atingiu o companheiro dela, Carlos Randall. O crime aconteceu diante de uma plateia em choque, e o cantor foi preso em flagrante no local. O caso se tornou um dos episódios mais emblemáticos de violência contra a mulher da época.

O julgamento, realizado por um júri popular, resultou em uma condenação a 12 anos de prisão. Castilho cumpriu a pena e foi liberado na década de 90. O crime, porém, teve um impacto devastador e permanente, especialmente para sua filha, Lili, que tinha apenas dois anos quando perdeu a mãe.

Um legado dividido entre a arte e a dor

No post de despedida, Lili de Grammont falou com uma rara mistura de dor e perdão. Ela descreveu o pai como um ser humano que se perdeu na própria vaidade e narcisismo. “O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira”, escreveu ela.

A coreógrafa ainda desejou que a alma dele encontre cura e que sua “masculinidade tóxica” tenha sido transformada. Suas palavras refletem a complexidade de lidar com a memória de alguém que foi, ao mesmo tempo, uma figura familiar e o autor de um crime monstruoso. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no portal Pronatec.

A história de Lindomar Castilho permanece como um lembrete sombrio de como a fama e o talento não são capazes de apagar atos de violência. Sua música, embora ainda possa ser ouvida, carrega para sempre o peso dessa narrativa trágica. O silêncio dos seus últimos anos parece ter sido o epílogo natural para uma vida que já havia terminado, de muitas formas, naquela noite de março em São Paulo.

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