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Moraes decretou prisão preventiva de Silvinei após rompimento da tornozeleira eletrônica

A situação do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal tomou um novo rumo nesta sexta-feira. Após uma condenação histórica do Supremo Tribunal Federal, o monitoramento eletrônico que deveria garantir sua prisão domiciliar falhou. O sinal do dispositivo simplesmente sumiu, levantando suspeitas imediatas sobre seu paradeiro. Esse episódio coloca em evidência os limites e os desafios da vigilância eletrônica em casos de alta tensão política.

A condenação de Silvinei Vasques ocorreu há poucas semanas, somando vinte e quatro anos e meio de prisão. O colegiado do STF o considerou partícipe de um dos núcleos que articularam atos golpistas após as eleições de 2022. A pena severa reflete a gravidade dos crimes de que foi acusado, incluindo tentativas contra o estado democrático de direito. A partir daí, a tornozeleira era o que garantia que ele aguardasse outros recursos em liberdade, ainda que com restrições.

A falha no equipamento não passou despercebida. A Polícia Federal foi acionada assim que os sinais de GPS e de internet do aparelho cessaram. A primeira hipótese foi a de uma simples bateria esgotada, algo que já acontece com celulares no dia a dia. No entanto, a ausência prolongada de qualquer localização acendeu o alerta vermelho. As autoridades precisavam confirmar, pessoalmente, se o condenado ainda estava no endereço cadastrado.

A investigação no condomínio

Uma equipe da Polícia Federal em Santa Catarina seguiu para o endereço de Silvinei na noite do próprio dia 25. Lá, os porteiros cooperaram com os agentes e permitiram o acesso total às áreas comuns. A primeira tentativa de contato direto na porta do apartamento, no entanto, não obteve resposta. A informação era de que a Polícia Penal estadual já havia tentado antes, sem sucesso.

A busca por pistas levou os federais até a vaga de garagem do ex-diretor. O espaço estava completamente vazio, sem nenhum veículo. Esse já era um forte indício de que algo não estava conforme as regras da prisão domiciliar. A partir desse momento, o foco da investigação mudou: era preciso descobrir para onde ele tinha ido e que meio de transporte utilizou.

O grande trunfo veio das câmeras de segurança do condomínio. As imagens do circuito fechado de TV contaram uma história detalhada. Por volta das sete da noite da véspera de Natal, Silvinei foi flagrado carregando bolsas e sacos para um carro. Os itens eram peculiares: ração e tapetes higiênicos para cães em grande quantidade. Ele também carregava potes comedouros e levava consigo um cachorro, aparentemente da raça pitbull.

A fuga e a captura

As imagens foram decisivas para entender o método. O carro utilizado não era de seu proprietário, mas sim um veículo alugado de uma empresa conhecida do setor. O fato de optar por um alugado sugere uma tentativa de dificultar o rastreamento. Vestindo moletom preto e boné, ele partiu do condomínio dirigindo, com o animal e os pertences, e simplesmente desapareceu do radar.

Com essas provas em mãos, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, não hesitou. Decretou a prisão preventiva de Silvinei Vasques por descumprir flagrantemente as medidas cautelares. A decisão judicial destacou o comportamento deliberado de deixar o local monitorado sem autorização, caracterizando risco de fuga. A tornozeleira rompida foi a prova final de que a prisão domiciliar não era mais suficiente.

A ação policial para localizá-lo se intensificou nas horas seguintes. A investigação cruzou dados, rastreou possíveis rotas e trabalhou com a hipótese de que ele tentaria deixar o país. A fronteira terrestre com um país vizinho parecia o caminho mais lógico para alguém tentando escapar da justiça brasileira. A rede de monitoramento internacional foi acionada.

A operação foi bem-sucedida. Silvinei Vasques foi localizado e preso pela Polícia Federal no território paraguaio, confirmando as suspeitas de que tentava fugir do país. A captura encerra, pelo menos por ora, esse capítulo de tensão. O caso segue como um exemplo dos desdobramentos judiciais dos eventos pós-eleição, mostrando que as decisões do Supremo estão sendo implementadas, mesmo com obstáculos no caminho.

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