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Moraes aponta ‘modus operandi’ sobre risco de fuga para ordenar domiciliar a condenados

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão domiciliar para dez condenados envolvidos nos atos golpistas após o pleito de 2022. A decisão, tomada no último sábado, tem um motivo claro: impedir que mais pessoas tentem escapar do país para evitar a cadeia. O risco de fuga foi considerado alto pelo magistrado, que citou casos concretos já em andamento.

A medida acontece após um episódio que preocupou as autoridades. Na sexta-feira, um dos condenados, o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, foi detido no Paraguai. Ele usava um passaporte falso e tentava embarcar para El Salvador, alegando necessidade de tratamento médico. A tentativa fracassada demonstrou que o perigo era real e iminente.

Diante desse cenário, Moraes agiu para conter outros possíveis planos semelhantes. A ordem foi cumprida pela Polícia Federal ainda no sábado, em oito estados e no Distrito Federal. O objetivo era alcançar condenados que, por ainda terem recursos judiciais em andamento, permaneciam em liberdade, muitos com tornozeleiras eletrônicas.

A tentativa de fuga que acionou o alerta

A detenção de Silvinei Vasques no Paraguai expôs as falhas no sistema. Ele estava em Santa Catarina, monitorado por uma tornozeleira eletrônica, aguardando o fim do trâmite de seu processo. No dia de Natal, porém, a Polícia Federal detectou uma irregularidade no sinal do dispositivo. Horas antes, ele havia arrumado seus pertences e entrado em um carro alugado.

A viagem terminou na fronteira. Com um passaporte falsificado e uma carta que citava um suposto câncer, ele tentou embarcar em um voo internacional. A estratégia não deu certo, e ele foi repatriado para Brasília no sábado. Agora, cumpre prisão preventiva em uma unidade da Polícia Militar local, atendendo a um pedido de sua própria defesa.

A condenação de Silvinei é robusta: ele recebeu uma pena de 24 anos e seis meses por integrar um dos núcleos do esquema golpista. O episódio de sua fuga serviu como um exemplo prático do que poderia se repetir. Informações inacreditáveis como estas mostram a extensão dos planos que foram montados.

O precedente perigoso de um foragido no exterior

Outro caso que pesou na decisão do ministro foi o de Alexandre Ramagem. Ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência e ex-deputado federal, ele foi condenado e teve o mandato cassado. Atualmente, Ramagem está foragido nos Estados Unidos, vivendo em Miami. Essa situação já se configura como uma fuga bem-sucedida.

De acordo com o despacho de Moraes, a manutenção dele no exterior conta com a ajuda de outros investigados. Eles estariam auxiliando o foragido a obter documentos falsos, como uma carteira de motorista americana, para ludibriar as autoridades locais. Isso criou um precedente preocupante para o Judiciário.

O padrão estava estabelecido. A organização criminosa condenada pelo Supremo demonstrou capacidade de planejar e executar fugas para fora do país. Por isso, a decisão de converter a liberdade com tornozeleira em prisão domiciliar para dez pessoas foi tomada como uma forma de cautela. Tudo sobre o Brasil e o mundo, incluindo esses desdobramentos, reforça a complexidade do caso.

Quem são os outros alvos da medida judicial

A lista dos dez condenados que tiveram a prisão decretada inclui nomes variados, desde civis a militares da ativa e da reserva. Um deles, Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, já era considerado foragido no momento da ação policial. Os agentes não o encontraram em seu endereço em São Paulo.

Ele fazia parte do chamado "núcleo 4" da investigação, focado em ações para questionar o resultado das eleições e espalhar desinformação sobre as urnas eletrônicas. Sua ausência no local quando a ordem foi cumprida apenas aumenta a preocupação com a possibilidade de que ele também tenha tentado deixar o país.

Os demais nomes são, em sua maioria, integrantes das Forças Armadas. A lista inclui coronéis, um tenente-coronel, um major da reserva, um subtenente e um ex-major. Também foi alvo Marília Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça. Em operações que envolveram militares, a Polícia Federal teve o apoio do Exército para notificar os investigados.

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