O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reagiu com tranquilidade ao anúncio feito pela China. O país vai aplicar uma tarifa extra sobre a carne bovina que ultrapassar certos limites a partir de 2026. A notícia poderia causar alarme, mas o governo brasileiro enxerga o cenário com menos preocupação.
Segundo Fávaro, a estratégia de abrir novos mercados nos últimos anos deixou o país mais preparado. A ideia é justamente reduzir a dependência de um único comprador, por mais importante que ele seja. Essa diversificação é vista como um trunfo para momentos como este.
A medida chinesa não é uma surpresa. Ela estava em discussão há pelo menos um ano e segue uma política de salvaguarda. O objetivo declarado é proteger a produção interna de carne, sem focar em nenhum país específico. Para o Brasil, o momento é de análise e negociação.
A visão do governo e a reação do setor
Em entrevista, o ministro classificou a decisão como "não tão preocupante". Ele destacou que, durante esta gestão, cerca de vinte novos mercados foram abertos para a carne bovina brasileira. Um caso de sucesso foi a reabertura do Vietnã, após quase dez anos de suspensão.
Essa expansão ajuda a equilibrar a balança comercial. Atualmente, a China compra uma parte significativa das exportações brasileiras do setor. No entanto, é crucial lembrar que o mercado interno absorve cerca de 70% de toda a carne produzida aqui. A exportação responde pelos 30% restantes.
Apesar da calma oficial, associações do agro reagiram com cautela. A Abiec e a CNA emitiram uma nota conjunta alertando que a mudança exige reorganização. Elas enfatizaram que a relação com a China foi construída com base em fornecimento regular e confiança sanitária.
Os detalhes da medida e o espaço para negociação
A tarifa adicional de 55% valerá para volumes que excederem as cotas estabelecidas. A cota total da China para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O limite individual do Brasil é o maior entre os fornecedores: 1,106 milhão de toneladas por ano.
O país já exporta um volume próximo a esse teto. Por isso, o governo já sinaliza que vai negociar. Uma possibilidade é buscar a transferência de cotas não utilizadas por outros países. Os Estados Unidos, por exemplo, não exportaram carne bovina para os chineses no ano passado.
O secretário de Relações Internacionais do ministério, Luís Rua, reforçou que a decisão "não é catastrófica". Ele lembrou que, entre 2021 e 2024, o Brasil foi responsável por cerca de 44% das importações chinesas. Volumes acima dessa participação média é que sofrerão a sobretaxa.
O contexto chinês e os possíveis impactos
As autoridades da China justificam a medida como uma forma de proteger seu rebanho bovino, que tem encolhido. A política tem duração prevista de três anos e busca dar mais estabilidade à produção doméstica. O apoio governamental ao setor interno tem crescido.
Com o aumento da rentabilidade da pecuária local, analistas chineses projetam uma queda nas importações a partir de 2026. A medida, portanto, parece fazer parte de um plano de longo prazo para fortalecer a autossuficiência. É uma movimentação estratégica, e não uma retaliação.
Para o Brasil, o caminho apontado pelo ministério segue duas frentes. A primeira é a negociação direta para suavizar os termos. A segunda, e talvez mais importante, é continuar ampliando a presença em outros mercados internacionais, um trabalho que já está em andamento.
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