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México segue a China com cotas para importação de carne

O México decidiu mudar as regras para quem vende carne bovina e suína para o país. A partir de agora, há um limite de quanto pode entrar sem pagar imposto. Se as importações passarem dessa cota, os exportadores terão que pagar tarifas. Essa decisão mexe diretamente com o comércio internacional e afeta países fornecedores, como o Brasil.

Até então, as carnes entravam no mercado mexicano completamente livres de tarifas. Essa era uma medida de um programa governamental antigo, criado para segurar a inflação dos alimentos. O objetivo era garantir preços baixos para o consumidor final. Agora, o governo estabeleceu volumes específicos com isenção.

O novo sistema funciona assim: para a carne bovina, estão liberadas 70 mil toneladas sem tarifa. Tudo que ultrapassar esse limite será taxado em 20%. No caso da carne suína, a cota isenta é de 51 mil toneladas, com uma tarifa de 16% sobre o excedente. Essas novas regras valem até o final de dezembro de 2026.

Como isso afeta as exportações brasileiras

Para o Brasil, essa mudança é significativa. O México é um cliente importante da nossa pecuária. Só no ano passado, a carne bovina foi o segundo produto mais exportado pelo Brasil para os mexicanos. A carne suína também apareceu entre os principais itens da nossa pauta comercial com o país.

As cotas estabelecidas pelo governo mexicano serão disputadas por vários fornecedores globais. A expectativa é que Brasil, Chile e União Europeia sejam os principais usuários desse limite livre de impostos. A distribuição exata de quanto cada país poderá exportar ainda está sendo definida pelas autoridades.

Apesar da nova taxa para volumes extras, o mercado segue importante. O México ocupa a quinta posição entre os compradores da carne bovina brasileira. Para a suína, é o sétimo maior destino. Manter uma presença forte nesse mercado, mesmo com as novas regras, continua sendo estratégico para os exportadores nacionais.

O contexto internacional das restrições

A decisão do México não é um caso isolado. Ela acontece em um momento em que outros grandes compradores também revisam suas políticas de importação. Pouco antes do anúncio mexicano, a China – nosso maior cliente – também impôs limites às compras de carne bovina do exterior.

A medida chinesa visa proteger seus produtores domésticos. Eles estabeleceram cotas anuais para a carne bovina importada. As importações dentro do limite pagam uma tarifa de 12%. Qualquer volume que exceder a cota, no entanto, levará uma sobretaxa pesada de 55%. A regra vale por três anos.

Esses movimentos mostram uma tendência de maior proteção nos mercados internacionais. Países estão buscando um equilíbrio entre abastecer o consumo interno e apoiar seus próprios produtores. Para o Brasil, isso significa navegar por um cenário de comércio exterior mais complexo e com regras em constante ajuste.

O que esperar dos próximos anos

As medidas mexicanas têm validade definida até 2026. Esse período dará um tempo para os exportadores se adaptarem e para os governos avaliarem o impacto real das cotas. O frango, importante item da nossa exportação para o México, por exemplo, segue por enquanto com tarifa zerada.

O cenário exige atenção constante dos setores envolvidos. A aplicação prática das cotas, como serão distribuídas entre os países e o comportamento dos preços internos no México, são fatores que vão ditar os rumos. A concorrência com outros fornecedores também deve aumentar dentro dos limites estabelecidos.

No fim, o comércio internacional é dinâmico. Mudanças nas regras são comuns e fazem parte do jogo. A capacidade de adaptação e a busca por novos equilíbrios comerciais serão fundamentais. O objetivo final de todos os lados segue sendo garantir o abastecimento e a estabilidade dos mercados.

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