Depois de mais de duas décadas de conversas, um dos maiores acordos comerciais do mundo finalmente saiu do papel. Mercosul e União Europeia firmaram um tratado que une mercados com quase 720 milhões de pessoas. A assinatura histórica aconteceu em Assunção, no Paraguai, mesmo local onde o bloco sul-americano foi fundado em 1991.
A cerimônia reuniu líderes de Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, além de representantes da cúpula europeia. O presidente Lula não compareceu por questões de agenda, mas participou de reuniões preparatórias no Rio. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil no ato oficial.
Esse passo formaliza o fim das negociações técnicas, iniciadas em 1999. Agora, o texto segue para aprovação nos parlamentos de todos os países envolvidos. A expectativa é que o processo de ratificação e implementação seja gradual, mas os primeiros efeitos podem ser sentidos em alguns anos.
O que o acordo realmente muda
Na prática, o tratado eliminará tarifas de importação para mais de 90% dos produtos negociados entre os blocos. Isso vale para bens industriais e uma série de itens agrícolas. Para o cidadão comum, pode significar, no futuro, uma variedade maior de produtos nas prateleiras, com preços potencialmente mais acessíveis.
A redução das barreiras comerciais não será imediata. O Mercosul terá até 15 anos para zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus. Já a União Europeia fará o mesmo para 95% dos nossos produtos em até 12 anos. É uma abertura progressiva, que busca adaptar as economias.
Setores como máquinas, automóveis, químicos e aeronaves terão tarifa zero desde o início. Para o agronegócio, o acesso ao mercado europeu, de alto poder aquisitivo, se amplia. Mas produtos como carne, açúcar e etanol terão volumes limitados por cotas, um cuidado com os agricultores locais.
Detalhes que afetam o dia a dia
Um ponto crucial são as regras ambientais. O acordo é vinculante: produtos beneficiados não podem vir de áreas de desmatamento ilegal. Há cláusulas que permitem até a suspensão do tratado se houver violação do Acordo de Paris. São compromissos firmes, que geram impacto direto na produção.
As regras sanitárias da Europa, conhecidas por seu rigor, não serão flexibilizadas. Isso significa que carne, grãos e outros alimentos exportados do Brasil continuarão sujeitos a inspeções rígidas. A qualidade e a segurança do produto final são exigências mantidas.
Para pequenas e médias empresas, haverá um capítulo específico com medidas para reduzir burocracia e custos. A ideia é que mesmo exportadores menores consigam aproveitar as novas oportunidades. Empresas brasileiras também poderão disputar licitações públicas nos países europeus.
Os próximos passos e expectativas
Após a assinatura, o texto precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Só depois de aprovado por todos é que entrará em vigor. É um processo político longo, que ainda pode levar algum tempo.
Autoridades brasileiras expressam otimismo. Há expectativa de que a parte comercial possa começar a valer ainda no segundo semestre deste ano. O impacto econômico, porém, será sentido gradualmente. A projeção é de um incremento de bilhões de dólares nas exportações nacionais.
O acordo gera debates. Enquanto industriais celebram, agricultores europeus temem a concorrência. Ambientais acompanham de perto a aplicação das cláusulas. O caminho agora é de implementação, observando como esse grande mercado integrado se moldará na prática.
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