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Mendonça e Fux votam para manter Vorcaro preso em julgamento do STF

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal começou a decidir sobre um caso que tem chamado a atenção. Trata-se da prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso novamente no início de março. Os ministros André Mendonça e Luiz Fux já votaram, e ambos são favoráveis a mantê-lo atrás das grades.

O julgamento acontece no plenário virtual, um sistema onde os magistrados depositam seus votos online, sem debates ao vivo. A sessão começou na última sexta-feira e segue até a próxima, permitindo que cada ministro se manifeste no seu tempo. A expectativa é que a decisão final saia ao término desse período.

Tudo começou com a operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura a existência de um esquema privado de coerção. Segundo as autoridades, Vorcaro mantinha uma estrutura para intimidar desafetos, incluindo jornalistas e ex-funcionários. As provas colhidas em celulares foram decisivas.

O voto pela manutenção da prisão

André Mendonça, agora relator do caso, foi o primeiro a se posicionar. Ele entende que há fortes indícios de que Daniel Vorcaro participava de uma organização criminosa. O ministro avalia que a liberdade do ex-banqueiro poderia atrapalhar as investigações ou até permitir novas intimidações. Seu voto foi pela manutenção da medida mais severa.

Logo em seguida, o ministro Luiz Fux acompanhou o entendimento do relator. Fux também viu riscos concretos na soltura do acusado, considerando a gravidade dos fatos. A decisão reforça a tese da Polícia Federal de que se tratava de um grupo com métodos perigosos. A manutenção da prisão preventiva é vista como uma necessidade para a apuração total.

O ponto central que pesou nos votos foram mensagens encontradas em aparelhos eletrônicos. Nelas, havia discussões sobre forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Esse foi um dos elementos que convenceram os ministros sobre a natureza do suposto esquema. A investigação segue apurando a extensão dessas ações.

A saída do ministro Toffoli do caso

Uma reviravolta importante ocorreu antes mesmo do julgamento virtual começar. O ministro Dias Toffoli, que era o relator original, decidiu se afastar completamente do processo. Ele alegou razões de foro íntimo, um recurso usado quando o magistrado entende que não deve mais atuar naquela ação. A decisão foi comunicada diretamente aos colegas.

Toffoli também se declarou suspeito para relatar um pedido de CPI sobre o Banco Master no Congresso. Diante da conexão entre os casos, ele estendeu o afastamento para toda a investigação no STF. A medida busca dar segurança jurídica ao processo, evitando futuros questionamentos sobre sua atuação anterior como relator.

A pressão por seu afastamento aumentou após reportagens que mostraram conexões entre o ministro e empresas ligadas a pessoas envolvidas no caso. A Polícia Federal chegou a entregar um relatório ao STF com indícios desses elos. Com a saída de Toffoli, um novo sorteio definiu André Mendonça como o relator, dando início a esta nova fase.

Os envolvidos e a estrutura investigada

Além de Daniel Vorcaro, outras pessoas foram alvo da operação Compliance Zero. O esquema, segundo a PF, envolvia desde executivos do banco até servidores públicos. Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, é apontado como um dos administradores dos pagamentos que sustentavam a suposta milícia privada.

Dois ex-servidores do Banco Central também foram citados. Eles são investigados por supostamente atuar de forma irregular, favorecendo os interesses do grupo em questões regulatórias. A investigação aponta que havia uma rede para obter informações privilegiadas e intimidar quem fosse contra os envolvidos.

A Polícia Federal identificou ainda um policial aposentado e um coordenador de vigilância, conhecido pelo apelido de "Sicário" nas mensagens. A estrutura, batizada de "A Turma" pelos próprios integrantes, teria função clara de coagir e ameaçar. O caso segue em análise no Supremo, que define os próximos passos legais.

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