João Vitor viverá um marco em sua carreira em 2026: a estreia na Série A do Brasileirão pela Chapecoense. Essa conquista, no entanto, carrega o peso de uma história de superação. O caminho até a elite do futebol foi interrompido por um episódio de violência que quase tirou sua vida e esteve perto de acabar com seu sonho.
O momento era de expectativa. Com vinte anos, ele acabara de voltar da Copinha e transitava da base para o profissional. Certa noite, em João Pessoa, saiu de moto com um primo para buscar uma roupa. A viagem familiar terminou em tragédia.
Do nada, veio um grito. Ao virar o rosto, ele só ouviu o disparo. A bala o atingiu no maxilar. Em pânico, João Vitor pulou da moto e correu para dentro de uma casa que teve a porta aberta para ele. O ataque foi um latrocínio, um roubo seguido de tentativa de assassinato.
A longa recuperação física e emocional
A recuperação exigiu uma cirurgia complexa. Seu rosto estava trincado e o processo foi lento. Ele precisou ficar praticamente um ano longe dos gramados. As propostas de clubes que seu estafe analisava tiveram que ser esquecidas. O baque foi tão grande que ele chegou a pensar em abandonar o futebol.
O apoio veio de sua fé, da família e dos amigos mais próximos. Sem poder se locomover, sua casa ficou sempre cheia de gente. Essa rede de apoio foi fundamental para sua força mental. João Vitor escolheu não fazer terapia e focou em esquecer o trauma, apoiado por quem amava.
A cicatriz hoje não é tão evidente, mas a marca emocional permanece. Ele procura não relembrar os detalhes daquele dia. A superação veio ao transformar a experiência em um testemunho de vida, uma história que o fortaleceu para os desafios futuros dentro e fora de campo.
A reconstrução passo a passo no futebol
A volta aos gramados começou longe dos holofotes. Sua primeira chance no profissional foi pelo CSP, da Paraíba, em 2020. De lá, iniciou uma jornada de reconstrução que passou por clubes como Primavera-SP, Caldense-MG e Operário VG-MT.
Cada temporada era um degrau. Em 2021, ele disputava a Série D pela Caldense, enfrentando dificuldades como logística precária e alojamentos. Essa fase trouxe lições valiosas sobre resiliência. O segredo, segundo ele, é nunca desistir, seja no jogo ou na vida.
A guinada decisiva veio com passagens por Vila Nova-GO e, principalmente, Avaí. Na Série B de 2025, como titular absoluto, suas atuações chamaram a atenção. Mesmo sem o acesso, seu futebol garantiu o convite da Chapecoense, fechando um ciclo de cinco anos entre a quarta e a primeira divisão.
O sonho realizado e os novos desafios
A estreia na Série A aconteceu na semana passada, no empate em 3 a 3 com o Coritiba. Aos 27 anos, João Vitor viu um sonho de infância se realizar. Demorou para a ficha cair, mas a felicidade de atingir o nível máximo do futebol nacional é imensa.
Sua chegada fortalece um projeto modesto. A Chapecoense tem um dos menores orçamentos da competição. O grupo, no entanto, é unido e trabalhador. A meta é clara: garantir a permanência. Eles sabem que o que vale é o que acontece dentro das quatro linhas.
A equipe catarinense começa bem, invicta após três rodadas. Enquanto luta pela permanência no Brasileirão, também busca o título do Campeonato Catarinense. O foco agora é a semifinal contra o Brusque, mais uma batalha em uma temporada repleta de significados para o volante.
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